Os 5 melhores vocalistas do rock

Contrariando o que eu coloquei em um post dias atrás e para exercitar um pouco minha técnica de argumento, resolvi parar e pensar nos meus vocalistas preferidos e porquê eles são os meus preferidos. Então…vamos lá!

Se você espera encontrar aqui Bruce Dickinson, Robert Plant, John Lennon ou o Marcelo Camelo, sugiro nem continuar,  afinal não sou crítico musical, nem muito menos tenho obrigação de curtir o que a massa curte.

O que eu levo em consideração para julgar os cinco melhores? Primeiramente eles tem que possuir algo a me passar, alguma mensagem, ou a sua atitude em relação as coisas, ou seja, eles tem que ter algo em comum comigo, procurar algo, respostas ao longo de suas vidas. Ou então apertaram o botão do foda-se em algum momento.

5º lugar: Bono Vox

Bono Vox

Não é errado pensar que uma grande banda tem que ter, obrigatoriamente, um grande frontman. Banda nenhuma que se preza dá pouco valor às apresentações ao vivo, e quando ela começa a ter como rotina shows gigantescos e seu cast é de apenas quatro músicos, torna-se indispensável a presença do “Pastor”, o cara que vai comandar a massa por algumas horas. E Bono antes de mais nada, é “O” frontman. Ele conduz os shows do U2 como poucos no mundo musical. Se você puder ir em um show do U2, vai esquecer suas contas, sua família problemática e aquele bando de idiotas no serviço. Sua alma é do Bono, por duas horas, você vai agradecer por isso a vida inteira e ainda contar pros seus netos.De quebra, ele não desistiu da humanidade, apesar de ser bem compreensível se quisesse. Meu som preferido é “Bad”

4 º lugar: Joey Ramone

Joey Ramone

Muitos vocalistas, a grande maioria até, pode-se dizer que tem a voz inconfundível, afinal também é pela voz de seu cantor que se reconhece uma banda. Mas de todos acho que o Joey Ramone é o maior exemplo disto. Ele certamente não era um cara com um grande dom, a técnica passava longe ali (e de todos nos Ramones). Mas ele era um cara performático à moda dele. Imagino que, assim como eu em minha distante juventude, em muitas madrugadas chuvosas longe de casa junto de um monte de malucos bêbados em lugares barulhentos, sujos e violentos, deve ter se perguntado: “Mas que porra eu estou fazendo aqui? Que hora para acabar a bebida!”. Esse cara influenciou muita gente, e põe muita gente nisso, pois transmitia energia em suas músicas, muita energia. Música é antes de mais nada, energia sonora. O som que eu mais gosto (e  excepcionalmente neste caso outros cinqüenta milhões de pessoas) é “Blitzkrieg Bop”.

3º lugar: Joe Elliott

Joe Eliott

Se tem um cara que sabe colocar a voz em uma musica de um jeito canastrão e legal, esse é o Elliot. Tem uma ótima noção de arranjo e junto com os riffs bem bolados do Def Leppard fez músicas memoráveis. Dentro do NWOBHM, para mim, é ele e mais dez. O cara passa uma imagem de quem sempre está disposto a investir numa mulher, mesmo que vá dar em nada e ele se queime. Ele às vezes parece um Poser “do bem”, se é que essa merda existe. Minha música preferida é “Have You Ever Needed Someone So Bad”.

2º lugar: Michael Hutchence

Michael Hutchence

Esse cara era muito versátil, tinha uma dinâmica muito acentuada e sua voz era potente. Conseguia dar a energia de uma bomba em um som, e um ar blasé em outro, dentro do mesmo show, ele era vários ao mesmo tempo e o INXS acho que nada seria se ele não tivesse pego a estrada junto. Era um cara intenso e cool mesmo, e ouvindo ele cantar dava pra curtir um monte. Esse era outro cara muito mulherengo e acho que a vida dele era centrada em mulheres, ele parece que precisava cem por cento do tempo estar vivendo algo intenso com uma mulher. E isso deve ser muito bom. Muito ruim ele ter se matado, e contam, foi por causa de uma mulher. Uma pena, pois poderíamos estar ainda hoje curtindo músicas novas dele. A minha preferida do INXS é “Tiny Daggers”.

1º lugar: Richard Butler

Richard Butler

Bom esse cara pra mim dispensa grandes comentários, por vezes acho que o The Psycodelic Furs não era uma banda e sim uma reunião de sociopatas. Acho que se o Joker da HQ “The Killing Joke” fosse o vocalista de uma banda, ele seria o Butler com sua voz engordurada, sua empáfia, seu ar de foda-se todo mundo com o dedo médio em riste. As músicas do TPF são uma névoa de loucura e um convite a pensar que nada mais tem solução, elas são lúcidas e sombrias, afinal não dá pra cantar o desespero e a desistência da espécie em ritmo de Axé. Minhas músicas preferidas são “All That Money Wants”, “All Of The Law”, e “Shine”.



The Warriors

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Depois de anos de procura, finalmente saiu em DVD o filme “The Warriors” (Aqui no Brasil “Os Selvagens da Noite”). Acho que já usei uma imagem desse filme para ilustrar um post tempos atrás. Fiquei muito contente em ter esse filme na minha coleção, mais ainda por não gastar sequer um centavo para tê-lo, uma vez que comprei na Livraria Cultura com um vale presente que ganhei de uma amiga.

A primeira das vezes que vi esse filme foi na já mencionada “Sessão Coruja”, da Rede plim plim, há quase vinte anos. Fiquei muito ligado a esse filme, por que ele era de certa maneira libertador.

Libertador pois eu não tinha ainda a noção real de que a violência podia ser empregada como meio de defesa. Até então eu tinha um histórico de medo e covardia nos enfrentamentos com meus colegas prevalecidos, e por assim dizer levava sempre a pior, sendo um verdadeiro saco de pancadas na aula. Esse filme mudou o meu modo de ver as coisas, e após a primeira cadeirada minha vida mudou para melhor nesse sentido. Não estou aqui defendendo a brutalidade. Muito pelo contrário, estou defendendo o respeito e a paz entre as pessoas, mas infelizmente para conseguir isso às vezes temos que lançar mão de determinados artifícios. Como na máxima “Si vis pacem para bellum”, ou “Se queres paz, prepara-te para a guerra”, que hora é atribuída a Sun Tzu (544 – 496 A.C.), e que dizem que consta na obra prima dele “A Arte da Guerra” (leitura obrigatória no mundo corporativo – eu nunca li), hora a Ápio Cláudio Sabino (fundador da Família Romana dos “Cláudios” e que acho, viveu na mesma época).

Bom, chega de Sun Tzu, Ápio Cláudio, chineses, romanos honorários e afins. O filme The Warriors, de 1979 e dirigido pelo Walter Hill é muito legal. A bandidagem chega à inteligente conclusão de que os membros de gangues estão em muito maior número que os policiais em Nova Yorque e resolvem fazer uma grande reunião para por ordem na coisa e tomar a cidade. Junta-se então uma quantidade enorme de desocupados em potencial em algum buraco da cidade e Cyrus, líder da maior gangue da cidade, os “Gramercy Riffs”, dá início aos trabalhos (trabalhos?). Ele convoca uma trégua geral entre as gangues e começa a ladainha de que a cidade pode ser tomada e tal, e então um revólver (armas estavam proibidas no encontro) troca nervosamente de mãos até que Luther (David Patrick Kelly), da gangue “Rogues” resolve pôr fim naquele discurso idiota. Luther dá cabo de Cyrus com um belo buraco no peito deste, e após o alvoroço da situação ele acusa a gangue mais próxima, que são os “Warriors”, do assassinato. As demais gangues tentam cair de pau nos Warriors, mas eles conseguem sair correndo, com exceção do líder Cleon (Dorsey Wright) que fica apanhando mais que boi ladrão, e dizem que em uma versão mais completa do filme e que infelizmente não é a que eu tenho, acaba espancado até a morte.

Desse ponto em diante o filme narra a fuga dos pobre Warriors até seu Bairro (Coney Island), madrugada adentro. Lábios femininos enormes e opressores vão dando o serviço em uma estação de rádio, sobre a posição dos caras e quem vai tentando pegá-los. Não vou contar o final, senão quem ainda não viu pode se chatear.

Sem dúvida esse é um filme cult no verdadeiro sentido da expressão. E é daqueles que não tem continuação o que é bom para que a essência não se perca (como por exemplo em Mad Max). Com exceção do James Remar (Ájax) e do já citado David Kelly (Luther) ninguém fez exatamente sucesso no mundo cinematográfico.

Ou seja, quem tem esse filme, aproveite ao máximo pois é obra única e genial.

Acho que tem link no IMDB para esse filme, mas estou com preguiça de colocar aqui.

Saiu a coleção dos melhores momentos do Flying Circus

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Eu sou uma pessoa obstinada, mas apenas quando me convém. Desde adolescente eu sou fã do Monty Python, descobri-os com uns 16 anos nas madrugadas da TV Globo, em um programa chamado “Sessão de Gala”. A Sessão de Gala passava após o antecessor do Supercine, que se chamava “Primeira Exibição”. Em geral os filmes que passavam na Sessão de Gala eram melhores que os da Primeira Exibição e Supercine.


Os filmes do Monty Python eu via nas madrugadas de domingo, após o pessoal de casa ver TV na noite de sábado. Muito da cultura que eu adquiri ao longo do tempo foi nas madrugadas, onde eu lia e via o que me interessava sem ninguém atrapalhar.

Como eu comecei a gostar mesmo, comprei uma fita de vídeo e deixava ela no videocassete na espera, todos os sábados à noite, de que reprisassem os filmes do MP. Assim comecei a me interessar.


Comecei a pesquisar nas locadoras perto de casa e consegui achar alguns dos filmes, sem os comerciais da TV e com mais cenas. E principalmente com os créditos. Com o passar dos anos e o acesso à internet pesquisei e achei a história deles, bem como as biografias dos seis membros do MP. Posso dizer sem medo de errar que o começo da minha coleção de filmes começou em VHS na adolescência com o MP, e mais adiante, já com 29 anos, em DVD também com Monty Python.


Na obra de reforma do meu apartamento fiz questão de elaborar um projeto para minha sala virar uma sala de cinema, na realidade reconstruí ela praticamente com essa finalidade.E tudo isso começou com aqueles seis debilóides.

Eis que agora surge a coleção dos melhores sketches (quadros) dos tempos do Flying Circus, (que era o programa deles na TV inglesa BBC e que começou em 1969). São seis DVDs, cada um com os melhores sketches selecionados por cada um dos membros. Como um deles morreu em 1989 (Graham Chapman), um desses DVDs é feito pelos outros cinco membros do grupo em homenagem ao Chapman e com uma seleção de cenas que eles imaginam que o cara ia gostar. Acho mesmo que os caras mais pirados da mídia são eles, desde sempre. Naturalmente providenciei as minhas cópias, com satisfação.

Uma vez ouvi: Você gosta disso porque é dito “humor inteligente”. Uma das coisas mais idiotas que tenho notícia é uma pessoa querendo que a outra justifique o gosto por alguma coisa. Gosto é uma coisa pessoal, não sou obrigado a explicar para ninguém e não sou obrigado a parar para pensar nos motivos, simplesmente gosto. Acho que essas tentativas de invasão fazem eu perder o gosto por manter relacionamentos, e cada vez mais me isolar dentro da minha própria cabeça.

Cherry 2000

Acho, acho mesmo, que foi nesse filme fraquinho, mas divetido que ouvi uma frase mais ou menos assim: “Fique você sabendo que não podemos ser glamourosos cem por cento do nosso tempo”. Se não me engano, era a Melanie Griffith rosnando isso para o David Andrews. Bem, se foi realmente ela que disse e se foi nesse flme, não importa. Mas que é a pura verdade é. Cedo ou tarde nossos defeitos aparecem. Eu sou um cara bem defeituoso até eu diria.

Dois dedos de prosa…

Vinte e uma horas, quinta feira, e adivinhe onde estou? É claro, aqui estou eu e esse cursor maldito fica piscando nessa folha de papel virtual. Aliás, qual é a definição de virtual, não é mesmo? Faz meses que preciso terminar a última parte da história da Rua Baskett, não é falta de tempo ou idéia, é o contrário. Não posso escrever a mesma história de milhares de maneiras, isso me pareceria novelas da Globo, e esses folhetins são um lixão. Meu Blog também é um lixão, mas de princípios. Tenho a impressão de que espantei alguém que já não estava muito perto para mais longe ainda. Eu acho impressionante aquela máxima de que “de perto ninguém é normal”, foi bem isso que deve ter acontecido, uma história que estava entalada na minha garganta e que cometi a deselegância de escrever aqui, para seis bilhões e pouco de pessoas em potencial lerem e meia dúzia saberem do que se trata deve ter espantado essa pessoa. Quer saber? Foi no mínimo deselegante mesmo, mas não sou nem nunca fui um gentleman, isso não é do meu lifestyle. Bem, trocando de assunto, meus planos do livro estão indo bem, já consegui separar um bom material e estou pensando em como compor isso, tem diagramação, formatação, revisão… Tem sido divertido pensar nisso. Meu outro mega plano de montar um site está indo bem, e já consegui escrever “estamos em construção”, nele. Do jeito que vai antes dos quarenta anos vai ser brabo produzir algo. Quero que seja uma coisa bonita, bem apresentada.

Bem, do mais absoluto nada hoje, no meio de uma reunião me lembrei de uma história de muitos anos atrás, acho que eu tinha uns vinte anos, quando muito: Éramos uma turma grande de amigos, e o menos demente era entregue cedo da manhã na porta do condomínio desmaiado, por uma kombi da Ceasa. O motorista parava, abria as portas e junto daquele fedor de verduras e legumes seriamente “passados” estava o cara podre de bêbado.

Como eu disse, esse era o menos demente. Num belo inicio de verão, dois amigos dessa turma, que atendiam pelas graças de “Negão” e “Foguinho” tiveram uma idéia: Eles queriam passar o verão na praia, na casa do Negão,na maior vadiagem, mas não tinham como se manter lá por três meses. Eis que surge o repente de comprar maconha, transformar em cigarros e vender por lá. É claro que a idéia maliciosa e não verdadeira de que se tratava de tráfico de drogas não passou pelas cabeças daquelas duas ricas criaturas. Eles pensaram (?) tão somente que como se tratava de uma operação com retorno financeiro líquido e certo e, além disso, era um belo retorno financeiro, com o dinheiro que passariam um mês na praia, simplesmente passariam três meses. Eu não lembro bem disso, de como eles compraram, pois eu não andava sóbrio por períodos muito longos naquela época. Mas ficamos sabendo todos que eles foram com seu projeto empresarial para a praia. É claro que quase nunca negócios e prazer andam de mãos dadas sorridentes e felizes. Os caras resolveram experimentar o produto e assim atestar a qualidade do que eles venderiam. O lance era bom, eles experimentaram mais algumas vezes, sabe como é, controle de qualidade mesmo. Bom, pra quê vender tudo isso não é? Separaram a metade pra consumo, o resto daria para eles facilmente se manterem no litoral, com uma ou duas refeições a menos por dia. E não é que eles se esqueceram de um detalhe? Para vender aquilo, era preciso sair de casa, anunciar, ir atrás de clientes. Enfurnados dentro da residência, os dias inteiros, com todas as portas e janelas fechadas, sem atender sequer os vizinhos que estavam preocupados, com certeza não era a melhor estratégia. Para resumir eles ficaram uma semana na praia e tiveram que voltar de carona para a cidade, depois de fumar tudo e mais um pouco, a maconha, o pé da mesa, o cachorro, as mochilas, o fogão e sei lá mais o quê. Cada um que me aparece….

Drakkar Noir

Mais de duas horas da manhã de uma terça feira e eu no serviço. Não curto falar dele, afinal, não me serve para nada além de ganhar a vida. Mesmo assim, mesmo não precisando, pois meu pessoal pode fazer a mesma coisa, aqui estou eu, configurando equipamentos de telecom que vão atender os servers no novo data center da empresa, conferindo se tudo está certinho, nos mínimos detalhes, para nada dar errado.Trabalhei ainda mais duro do que de costume nesse projeto. No fim das contas os méritos irão para a politicagem barata de sempre, os tapinhas nas costas de quem não fez nada… Bom, falei demais. Na realidade outra coisa, além disso, me prende aqui, o wallpaper com ela sorrindo bem aqui na minha frente, tanto faz se ela está sorrindo para alguém diferente de mim, segurando uma câmera e não ajustando direito o foco. Tanto faz também se achei essa foto no Orkut, afinal, essa ferramenta aparentemente inútil de gerenciamento da vida social fácil tem que servir para alguma pretensão. O simples sorriso dessa criatura já é suficiente para me imbecilizar ainda mais. A essa hora não tem mais os patrulheiros(as) ideológicos(as) aqui então posso detonar Life’s a Gas dos Ramones no repeat até sentir coceira no tímpano de tão alto o volume. Hoje estava lembrando da minha adolescência novamente meus dezessete ou dezoito anos, escola técnica, Grêmio Estudantil… Que época!Depois de alguns anos, finalmente íamos limpar o ranço político-partidário que tinha tomado conta daquela sala entre o SOE e a escada que dava para a Diretoria. Essa convicção durou bastante para mim, durou até o dia que o nosso Presidente Marcelo veio com a necessidade de recrutarmos mais pessoas para nossa causa pueril. Alguns dias depois disso estava eu entrando no Grêmio e então aconteceu, passei alguns instantes de susto, e mais alguns bolando o que eu ia dizer na frente dela. Costumava disfarçar meu jeito tímido com piadinhas ou sacadas engraçadas e fiz isso mesmo, descontraiu no primeiro momento, mas guardei dentro da minha cabeça o verdadeiro sentimento que tomou conta, e ele é tão forte que quase dezessete anos mais tarde ele me faz estar aqui digitando essa palhaçada. Passei um período totalmente diferente de toda a minha vida naquela época, hoje eu me lembro dele como se fosse outra vida, outra dimensão, outro sei-lá-o-que… Pintou então o famoso baile do Grêmio, e, é claro, eu tinha sentimentos e expectativas confusas em relação a ele, eu queria e não queria, ou tinha q ser perfeito ou nada, ficava em casa. Nessa época meu pai trabalhava em uma multinacional de cosméticos, era muito poderosa e ainda o é, não sei como, além de ganhar uma grana legal, ele ainda era agraciado com muitos vidros de Drakkar Noir, aquele perfume bacana do Guy Laroche, vidro estiloso e tal. Chegou o dia então e eu o passei inteirinho fazendo o que é a especialidade de todo adolescente: Nada, rigorosamente nada. Eu estava bem atrasado quando meu pai apareceu oferecendo três coisas que não eram exatamente a especialidade dele, uma carona, grana pra festa e um vidro do Drakkar. Pirei de felicidade com a patrocinada, mas mais ainda com a atitude dele. Coloquei o perfume e pensei “comigo mesmo”, “Vou matar a pau”. Passamos na casa de um colega-amigo antes de chegar na festa, buscamos ele e mais alguns colegas e fomos nos divertir, ou pelo menos eu achava que ia. Chegamos lá, todo mundo comentando, “olha só o cara, usando Drakkar, animal”… Bom, ruminava eu meu chiclete olhando pra todos os lados a cada 2 segundos, é claro, procurando por ela e de repente acho o que procurava, e melhor ainda, vinha em minha direção. Dei-me conta que o chiclete não ia ser bom e simplesmente o engoli para poder beijar aquele rosto. Ela foi dar oi para as pessoas que conhecia e fiquei lá estático pensando: “ Um agora ela cumprimenta todo mundo e vem para o meu lado, daí , bom, daí o quê? O que eu faço? Digo que quero casar com ela? Digo que tenho uma girafa de plástico em casa e monto aeromodelos alemães da segunda guerra?” Pensei tanto nisso que me perdi, me desconectei de tudo. Nunca havia bebido nada alcoólico, mas, coisas de um jumento, achei que seria uma boa idéia. Tomei um tal de Hi-fi, gostei, tomei outro, gostei, tomei outro… tomei muitos, até que perdi a noção um pouco do que era real e palpável. O pouco que me lembro foi de ter visto um dos produtores da festa num canto com ela. Foi o suficiente para eu voltar no balcão do barman e tomar outros Hi-fi e na seqüência tudo mais que ele tinha. As coisas saíram definitivamente do meu controle, não sei até hoje se foi bem isso que ocorreu mas me lembro dela tentando falar comigo no fim da festa e estava brava. Não lembro se ali ou depois, já na escola, me disseram que ela não foi na conversa do produtor barato, que ficou sozinha e assim foi para casa. Mas lembro que me perdi, fui parar de táxi ou de ônibus, também não lembro, bem longe da minha casa e quando me acordei, em uma escada de condomínio já pela manhã, minha cabeça doía muito e eu tinha um hálito péssimo. Tomei alguma condução e fui pra casa, chorando bem baixinho, não pela dor, pelo sentimento de fiasco, mas por ter magoado ela. Isso faz com que até hoje, mesmo passando longe do Drakkar Noir, eu lembre perfeitamente seu cheiro e tudo mais que eu passei sóbrio naquele dia. Em algum momento dos meus dias eu acho que se tiver um frasco daquela poção maldita o tempo vai voltar e vou ser feliz para todo o sempre. Infelizmente o único contato que eu tive há uns dois anos atrás com esse perfume me atordoou e eu decidi que nunca mais vou ter um, a não ser que eu tenha uma oportunidade de me redimir da minha babaquice, o que não vai acontecer pois somos pessoas de respeito. Por falar em perfume, muito, mas muito melhor o Fahrenheit do Christian Dior, esse eu tenho e uso sem receio de me lembrar de nada, a não ser que é bom.
De repente me deu vontade de ver de novo Edward Scissorhands, esse fim de semana vou fazer isso. E por hora, vou ouvir mais algumas vezes Life’s a Gas, tão curta, simples, trágica e direta quanto todas as músicas dos Ramones e talvez suas próprias vidas.