Xuxa e as beterrabas sarcásticas

Uma das coisas que sempre gostei de fazer foi ler, história em quadrinhos, enciclopédias, lista telefônica, clássicos… Menos São Bernardo, não tive coragem, pois quem sobreviveu a ele e deu o palpite não tinha opinião favorável à progenitora do autor (Graciliano Ramos). Fora isso, o que caísse na minha mão eu mandava ver. Pelas minhas contas foram algumas boas centenas de livros, e muitos eu herdei da minha mãe e tenho comigo. Meus amigos, a maioria também bem interessada pela cultura útil ou nem tanto, também era muito interessada. Não sei se me acostumei mal, ou se levei uma vida imbecil, mas o fato é que quando entrei no meu atual emprego, há mais de cinco anos, uma das primeiras coisas que senti foi um choque de diferenças gritantes. Por natureza, sempre fui uma pessoa aberta a amizades, e um pouco ingênuo também. Nos primeiros almoços com a turma nova, e por falar demais, acabei criando uma má impressão, um pouco de arrogância com falta de inteligência. Logo, fui taxado de o bobo do setor, pela turma da formação de opinião. Aliás, é sobre eles que descrevo a maior parte desse post.
Toda empresa, pequena ou grande, pobre ou rica, pública ou privada, ruim ou boa, desconhecida ou famosa, tem sempre a turma da formação de opinião. Nas grandes e ricas ela fica mais evidente ainda. É aquele pessoal a princípio bacana, descolado e gente boa, mas que na verdade coordena o que os outros devem pensar, sob a ameaça de ser atirado ao limbo da cultura que eles mesmos determinam como tal. Tem gente que chama isso carinhosamente de “panelinha”. Há um respeito enorme ao ponto de vista de todos, desde que ele seja igual ao dos formadores de opinião. Um filme ou livro ou programa de televisão só pode ser considerado assunto se um deles viu e deu o aval. Se um deles comenta um filme e você deu o azar de já ter visto há dois anos, é de péssimo gosto fazer essa observação. Não dei nenhuma declaração a respeito até hoje, ainda bem. Chega um ponto que para se manter o mínimo socializado, resta o futebol. Vejam bem, o futebol num universo de assuntos a serem abordados. Nunca se deve tentar introduzir assuntos diferentes do universo cultural dos formadores de opinião, ou se pode magoar algum deles. Perda de tempo gritante, abrir a boca para dizer que existe um programa sobre possíveis OVNIS no history channel, falar sobre o alarmante (há muito tempo) aquecimento global, testes de inverno da F1, ou sobre filosofia de relacionamentos. Houve um tempo aqui, acho que um mês inteiro que o assunto era o livro “O código Da Vinci”. Foi tão discutido que sairia uma tese de doutorado a qualquer momento. O bacana mesmo é falar sobre o carro, sobre festa, sobre show internacional que a empresa patrocina, sobre LOST, sobre todo mundo ter comprado óculos escuros novos e quase todos iguais e sobre futebol, é claro. Nessa turma tem sempre alguém que vai tentar ser diferente “no range permitido” dos demais. Tem alguém que vai tentar se aventurar na blogsfera. Mas não é para se expor, é para escrever alguma análise tecnológica superficial, ou então analisar os colegas que não são da panela, para que a própria comente. Em último caso é para falar com alguma poesia e sem propriedade alguma da miséria humana, porém no fim da tarde ir curtir seu home theater novo ou sair pra jantar. Em muitos casos o blog é só para mentir a si mesmo, e tentar se auto-conferir um ar de intelectual. Coloca-se um título de “Sarcástico isso-ou-aquilo”, sem ao menos olhar lá no Aurelião o que o termo significa. Andei acompanhando um blog desses um tempo atrás, vide o que escrevi no começo do post. Não bastasse essa forcação de barra, ainda alguns posts foram acompanhados de um mail para a lista off-topic do setor, “ olhem lá, comentem, postei coisa nova”. Nas últimas serviu pra fazer copy/paste de textos de outro blog. Sempre achei que coisas interessantes dispensassem esse tipo de pedido. Lembrou-me um pouco o novo filme da Xuxa, que confesso aqui que não lembro o nome, daqui a pouco procuro uma foto na rede pra ilustrar esse post. Esse filme até onde consta, foi merchandising puro em quase todos os programas da Globo, escancaradamente. Tentativa de aumentar a bilheteria, pois com o merchan habitué, nem mesmo quem participou dele teria se dado conta de ir ver.
Nos últimos anos tenho tentado ser o menos indelicado possível, porém tenho me afastado ao máximo do universo aqui do trabalho, assuntos discutidos, só profissionais, na grande maioria. Isso por puro respeito aos colegas, os mundos são diferentes, e faço questão de respeitar o deles, não me serve, é verdade, mas e daí? Quem sou eu pra me impor? Só não vou a encontros de lazer, festas, almoço…
Olhando de fora, algum desavisado poderia pensar que tipo de complexado ou burro eu sou. Tenho um blog quase anônimo e não tenho intenção de ofender ou julgar quem quer que seja apenas às vezes quero escrever, vai aqui mesmo, afinal, o que seria do mundo sem a diversidade de opiniões? Além do mais, serve pra olhar mais adiante e rir sozinho. Tenho amigos ótimos, um monte de coisas que gosto de fazer e a grana aqui proporciona um monte de realizações. O chato é que poderia ter mais do que isso em cima da minha mesa. Ah, e a turma da panela não lê ele.

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Esperar, esperar, esperar….

Eu fico pensando, o que mais faz as pessoas caírem na vala comum da mediocridade é esperar pela informação. Nunca quis isso para mim, então jamais esperei pelas que me interessavam, com exceção de uma coisa. Muitas vezes não esperar informações implica em intuir um pouco da outra pessoa em relacionamentos, ou principalmente na tentativa deles. Sempre tentei me antecipar, o que gerou muitos mal entendidos, mas também alguns bons acertos. Mas não é que me pesa exatamente essa única vez? Agora estou eu aqui, poderia muito bem guardar certas coisas naquele cantinho “tapete” da mente, onde a gente varre para baixo as coisas que é mais prudente deixar quietas, afinal, não mudarão a menos que comecem a construir pregos com isopor. Estou remoendo pela milionésima vez se devo varrer, que saco. Ah, antes que o ego de alguém suba nas alturas, isso é um problema meu. Posso muito bem ser cara de pau o suficiente para alegar ficção nessas linhas mal postadas, se um dia precisar. Ou se quiser achar que só posso estar ficando louco de vez, por favor entre na fila.

Mudando de assunto, vou abandonar essa bagaça de Blogger, ele é muito limitado. Avaliei algumas opções para usar no novo site, uma versão gratuita do WordPress (estou mexendo em https://doideira.wordpress.com/, criei pra testar) e acho que vai ser esse mesmo. Olhei com a ajuda do meu compadre o xoops, mas me parece complicado demais, vou ter que desinstalar do server. Estou tão fera em mexer no site que tudo que consegui até agora foi colocar uma foto cretina lá, também, com a ajuda do meu compadre e uma mensagem de”estamos em construção”. Preciso me dedicar mais, se quiser fazer funcionar. Para quem quiser saber o endereço da nova bagaça, vá em http://www.doideira.org/, vou pirar diariamente por lá, que é uma reivindicação antiga de 2 amigos meus e um esquilo.

A última parte da história que eu postei por último no blog, vou confessar, não me agradou. Acho que férias de verdade seriam boas para meu processo criativo, quero melhorar muitas coisas antes de fazer a porqueira do meu livro, senão ninguém vai querer mesmo eu dando de presente, que é o propósito.

Minha vista piorou um pouco, está ficando certo que vou ter que usar óculos para que não entre mais luz nos olhos, ou pelo menos evitar para sempre os raios do sol e luzes muito fortes. Nada que dois Oakley, um Juliet e um Penny não resolvam, ainda mais que vou colocar os adaptadores laterais, que chamam lá fora de sideblinders. E mandar espelhar as lentes em vermelho.

Baixei sem muita expectativa o último cd do Def Leppard ( Yeah, 2006) e não é que tem excelentes timbres e melodias? Destaque para as ótimas “The Golden Age Of Rock’N’Roll, “No Matter What” e “Stay With Me”. Com o advento de um software chamado “Nuendo”, da Steinberg, uma boa placa de som e um par de monitores dá pra reproduzir, e na boa, deve ter sido isso que o Collen fez. Ninguém mais deve gravar com amplificador.

Coisas estranhas na Rua Baskett – Fim

Para quem não leu, a primeira parte está aqui.

Na descida me deparei com uma ambulância, ela estava recolhendo um Judeu boca-aberta que havia se atirado da janela do meu prédio. O Judeu deve estar com depressão, a doença da moda hoje em dia. Espreitei por um cantinho próximo à entrada do imóvel onde estavam adentrando os marginais e aquelas bandejas suspeitíssimas. Ouvi alguma coisa desconexa que estavam conversando e percebi manchas de sangue na roupa dos suspeitos. Era a hora de cumprir com o meu dever, de atender o nobre chamado da profissão. Saquei com estilo minha Magnum e dei dois disparos para cima enquanto tirava do bolso meu distintivo e me apresentava para aquela gentalha. Dei dois passos para frente e o Homem-Aranha caiu em cima de mim com cara de poucos amigos e me xingando muito. O Homem-Aranha se acha o rei do pedaço. Eu já andava meio farto dele e como eu queria resolver rápido o impasse dei duas coronhadas no cabeça de teia seguidas de um sermão à moda Turca. Os suspeitos ficaram estáticos olhando o que estava acontecendo e acabaram deixando a bandeja cair. Fiquei estupefato com o que vi. Tinha quarenta e três peças de picanha defumada embaladas individualmente com o nome “Cabanha do Gomes”. Achei que deviam estar escondendo alguma coisa e abri todas, rasguei as embalagens e cortei todas elas, uma por uma. Devia ser o lote comum, pra despistar. Tentava arrancar alguma coisa daquela marginália, quando se aproximam o meu vizinho açougueiro, o Gomes com cara de poucos amigos, o Homem-Aranha chorando e mostrando as calças com dois enormes buracos na altura da bunda e o meu chefe todo enfaixado, cuspindo pedaços de Donuts. Corri os dois primeiros à bala mesmo, mas tive que ouvir meu chefe bichinha fdp ter um ataque enquanto tentava me explicar que eu havia estragado a inauguração da mega casa de carnes do Gomes. Vou eu saber? Na dúvida sempre vou conferir, afinal a população precisa de alguém que defenda sua segurança.