Sgt. Barnes 2.0 – Parte 2

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Continuação

A CTI do hospital em questão era uma coisa muito diferente do que eu imaginava, se é que um dia eu me dei ao trabalho de imaginar algo assim. Vários corredores, de cor clara, com salas-quarto à esquerda e à direita, todas com portas amplas, tão amplas que pareciam mais portas de garagem. Fui estacionado em uma sala dessas, cheias de equipamentos. Um pelotão composto por um médico duas enfermeiras e umas três auxiliares de enfermagem prontamente vieram, todos se apresentaram, sabiam meu nome, idade, sintomas, remédios que eu havia tomado e essas coisas. Todos muito gentis. Não me sentia paparicado assim desde que nasci, provavelmente, sou o primeiro filho, neto e essas coisas assim, então concluo que até (infelizmente) aparecer minha irmã, a novidade da casa era eu. Mas toda a paparicação não evitou que me colassem sensores pelo peito, e medidores de pressão, batimentos cardíacos, oxigenação do sangue e afins. Levei um tempo para me acostumar com aqueles aparatos todos, e aí me ocorreu algo que ainda não havia ocorrido: Como, diabos, eu iria ao banheiro? Isso mesmo, conectado a tudo aquilo, seria plausível as auxiliares desconectarem para eu ir tirar uma água do joelho? Caramba, morro de vergonha de um monte de coisas…. Achei o seguinte, ia segurar a onda o quanto desse, e iria fazer disso o meu foco na CTI. Copinhos de água aqui e ali para ajudarem a engolir muitos comprimidos de tamanhos e cores diferentes, e eu engolia com meio gole de água tudo. Chegou o jantar e eu imediatamente pensei duas coisas: a primeira era que espécie de CTI era aquela, não me contive e comentei com a auxiliar, ela me respondeu mais ou menos assim, havia lá três níveis de situações e eu estava na mais branda, procurei entender e isso foi tranqüilo. Mas a segunda coisa me preocupou mais: Se eu estava cabreiro em função de não saber como pedir pra tirar água do joelho, imagine se…. eu estivesse com dor de barriga? Bateu o pavor e então comi uma pequena parte do jantar, pra não levantar suspeitas. Passei as doze horas seguintes fazendo isso, comendo um pedacinho de tudo que me mandavam e bêbedo o mínimo possível. No outro dia pela manhã, na troca de enfermeira (elas se revezam em turnos de 6 horas), durante uma seção de perguntas a enfermeira comentou com a auxiliar: “Ele não urina desde que chegou aqui, prepare a sonda”. Sonda? Sonda o diabo! Meu avô disse uma vez que isso dói um horror. Prontamente abandonei meu plano e comentei como quem não quer nada: “Estou com muita sede, alguém pode me conseguir uns três copos de água? Olha, a sede é grande! Ah, e daqui a pouco eu queria ir ao banheiro, vocês podem desconectar essa parafernália toda?” A enfermeira mandou buscar água e disse educadamente e com doces e meigas palavras algo que eu traduzi como:” Tirar seus aparelhos? Nem fodendo! Você vai urinar em um papagaio, fulana, por favor, providencie”. Papagaio pra quem não sabe, é um tipo de penico de metal, em formato de sei lá, uma garrafa, chaleira, realmente o formato é escrotíssimo. Você pega seu amigo e põe ali dentro, e manda ver. O medo de fazer fora dali e me urinar foi desaparecendo, elas deixam você sozinho no quarto nessa hora.

Continua…

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