"Ocama, use the force…"

Estava sozinho em casa, ouvido Comeon do Jesus And Mary Chain, tentando mover um plugue P10 estéreo que está bem na minha frente com a força da mente e balançando as mãos. Ele não está se movendo, isso quer dizer que as chances de eu ser um Cavaleiro Jedi pronto para qualquer quebra pau não são boas. Puta que pariu Oberdã, você é um nada, seus conhecimentos da força não são suficientes sequer para mover um plugue P10 estéreo. Eu tinha plena convicção de que era um Jedi, Ocama seria meu nome, Ocama Abe, mas sabe como é, ninguém me leva a sério, isso pode estar influenciando negativamente nos meus poderes da força. Meus corôas chegaram, eles me olharam por alguns instantes. Meus pais são completamente diferentes sabe? Não entendo como podem estar a 33 anos e 5 meses casados. Eles entraram em casa e me viram exercitando os poderes da força. Meu pai de novo riu num misto impressionante de arrogância, nervosismo e histeria enquanto a minha mãe desatou a chorar, chorar copiosamente. Acho que meus pais precisam de tratamento psicológico, mas da última vez que comentei de leve esse assunto eles me puseram a dormir com o Boca 3, o meu cachorro, na casinha dele. Meu cachorro fede muito, quase dei um banho nele ano passado, de tanto que ele fedia. Como não agüento as crises dos velhos, resolvi dar um rolê, estou com uma sensação de vazio interior sabe? Pode ser fome, mesmo um Jedi precisa se alimentar. Pus meu manto, sabre de luz na cintura e vou comprar algo para mastigar. Umm, estou com vontade de comer mortadela hoje, faz tempo que não como mortadela. Fui até a mercearia com meus últimos trocados matar essa vontade. Parei de trabalhar fazem quatro anos para atender os desígnios da força e aprendê-los adequadamente. A mercearia perto de casa é bem legal, ampla, cheia de gente animada batendo papo, quase do tamanho de um trailer. Entrei nela e fui direto na geladeira dos frios. Tinha uma porção de variedades de embutidos lá, inclusive variações da minha querida e amada mortadela, mortadela com pepino, mortadela recheada com queijo, mortadela com peru, mortadela com gordura de ganso e é claro, a minha preferida: mortadela com mortadela. Já ia abrindo o eletrodoméstico em questão quando ouço a voz do mestre em minha mente: ”Ocama, use the force”. Foi como um chamado, um Jedi de verdade deve estar sempre preparado ou ao menos exercitando seu poder. Imediata e lentamente levantei meu braço direito olhando para a geladeira, destinando todo meu poder supremo em direção ao meu alvo, porém sem fazê-lo se mover. Alguns vizinhos começaram a tentar de desconcentrar com risadinhas bem ridículas, mas é mais uma prova para meu poder interior. Não consegui me conter, estava concentrado demais, de minha testa escorria o suor proveniente do esforço hercúleo que eu estava fazendo e dei um grito: “Mova-se, mortadela!Mova-se em minha direção!” O esforço foi um pouco além da conta e confesso que me caguei de leve. Luke também teve dificuldades, não sei se ele se cagou também ao tentar levantar o X-Wing durante o treinamento com o Mestre Yoda, se isso aconteceu, o cheiro do pântano deve ter amenizado um pouco a situação. A merda da mortadela não se mexeu, eu estou com fome, mesmo um Jedi tem que comer, puta que pariu que vergonha do cheiro de merda. Peguei a mortadela e entrei na fila para pagar a encrenca. O dono da mercearia é amigo do meu velho e adquiriu esses hábitos ruins dele com a convivência, como, por exemplo, rir de mim. A merda era grande e perdi o controle: puxei meu sabre de luz para assustar ele e a bosta não ligou, fiquei virando de um lado para o outro fazendo barulho com a boca: “Uómmm, Uómmm” e o único efeito era que agora o dono dessa porra de mercearia rolava de rir no chão do estabelecimento. Me acalmei, paguei, e fui caminhando curtinho para a casa, senão a merda escorria perna abaixo. Pensei comigo mesmo: “Vou treinar force submission quando chegar em casa. A tarde toda”.

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Peixe Podre

Felizmente acabou o martírio de esperar a sexta feira Santa e comer peixe! Para mim, o ano se divide em duas partes: esperar a sexta feira santa chegar e depois rezar para ela passar rapidamente, de preferência em vinte e quatro horas, nenhum minuto sequer a mais. Resolvi curtir o sábado comendo alguma coisa decente, afinal de contas, também tenho meus direitos gastronômicos. Depois de pensar calmamente em que cozinhar ao mesmo tempo que eu caminhava pelo teto de casa em círculos batendo um sundae na testa, resolvi fazer algo simples e suculento: Farofa de jerimum. Opa! Não estamos na época de jerimum. Como não curto cozinhar mesmo é melhor fazer outra coisa, quem sabe um frango assado com creme de cebola e suco de laranja, coisa simples, três ingredientes e nenhum trabalho. Ummm, não tenho laranjas em casa e nem muito menos creme de cebola então vamos ao supermercado em busca desses ítens cruciais para a minha felicidade estomacal pós-peixe podrão. Pois é, sábado de feriadão, o super deve ter menos gente que em marte, em dois minutos chego, vou às prateleiras certas, pego o que preciso, pago e dou o pira pra casa. Chego na esquina e vejo um amontoado de gente doida: ”deve ter acontecido um acidente, que azar desse pessoal, bem no feriadão, bom paciência, cada um com seus problemas”, penso com meus botões. Meu Deus do céu, acidente nada, tem gente se tapeando pra entrar na merda do supermercado, que situação, ele está infestado de gente. Uma vez de posse da senha 345 esperei minha vez de entrar, afinal o que é uma filazinha de nada perto de um legítimo sábado de gourmand, me deliciando, enchendo a moringa? Três horas depois eu entrei na porra do super, um pouco impaciente, talvez tenha exagerado ao mastigar o cartão com a senha. Vou direto na parte das frutas e vejo duas velhas e um anão brigando pelas últimas duas laranjas e o anão está levando alguma vantagem no confronto. Não fiquei na fila por nada e apesar de ser uma pessoa tolerante e extremamente equilibrada acabei mordendo o braço do anão pra ele soltar daquelas frutas. Elas não estavam exatamente cheirosas e após uma avaliação um pouco mais cuidadosa, decidi que as levaria somente para atirar na primeira carreata do PSDB que passar debaixo da minha janela. Bom, a solução é levar suco em caixa mesmo, foda-se, não vai ser isso a estragar a minha receita. Peguei rapidamente o creme de cebola e o suco encaixotado e fui ao caixa, que deveria ter mais ou menos 50 pessoas na minha frente. Após mais ou menos umas 4 horas tem somente uma das velhas que apanhou do anão na minha frente. A caixa informa o valor 14 vezes, sempre aumentando o tom da voz para a criatura. Ela retruca o valor dos guardanapos, dizendo que na prateleira está um centavo mais barato e manda chamar o gerente do estabelecimento, que manca fortemente de uma perna e é gago. Eles se entendem após mais ou menos 50 minutos, no que diz respeito ao nome de cada um. Já fazia umas nove horas que eu estava ali, então me descontrolei um pouco emparelhei todos com adjetivos pouco atraentes. Fui escorraçado por todos, que me chamaram de não civilizado e sóciopata. Com as compras feitas fui para a minha casa, estou com muita fome então é melhor eu não me enrolar na cozinha. Peguei os pedaços de frango, um refratário, abri a caixa de suco de laranja e peguei o envelope de creme de cebola, para empanar a carne. O envelope resistiu um bocado apesar de ter aquela marquinha para abrir sem tesoura, inclusive quebrando um dos meus dentes. Emprestei a minha coleção de 23 tesouras para o vizinho e ele foi passar o feriadão na Tasmânia, dificultando um pouco a devolução delas antes de segunda feira. Peguei o alicate universal e fui a luta, mas lá pela quinta tentativa cortei todos os dedos da mão esquerda. Menos mal que abri essa merda de envelope. Não vou dar muita bola para esse ingrediente de última hora na minha receita – meio litro de sangue -. Montado o prato, vamos colocá-lo no forno e começar a brincadeira. Quer dizer, tentar começar, pois o gás acabou, acho eu. E bem na hora que queimou a luz da cozinha. Fui procurar mais fósforos para tentar acender uma vela e procurar lâmpadas. Ummm risquei um fósforo bem na hora que sinto um forte cheiro de gás… ele não acabou… Beleza era só um problema com o botão do fogão, levei o fósforo em direção ao forno e quando abri a porta vi um clarão seguido de um forte estrondo. Quando acordo estou todo enfaixado no pronto socorro e vejo ao longe um médico dizendo alguma coisa e a minha mãe se virando aos prantos e abraçando meu pai. Será que eles também não gostam de peixe na sexta-feira santa?

Feliz Páscoa

Existem no Brasil feriados e feriados. As datas de ano novo e carnaval, por exemplo, não vejo a menor graça nelas, a não ser pelo fato de eu poder me acordar mais tarde e ficar um bom tempo olhando para as paredes, no maior branco mental. Mas tem datas festivas que me parecem das mais agradáveis e que cultivo com um carinho especial. A Páscoa é uma delas. Vou confessar aqui que não faço mesmo a menor idéia do motivo do feriado, sei que Jesus se deu mal mais ou menos por esta época do mês e não tinha nada a ver com ele ter andado pelado pela rua e enfiado os dedos no nariz de ninguém. Daí a ele ter sentado no patê e hoje se comemorar comendo coelhos e ovos de chocolate, só pode ter sido em função de certa falha de comunicação entre gerações ou então algum romano era mais sádico do que se imaginava. Bem o fato é que nos domingos de Páscoa se faz (quem pode) criança feliz dando chocolate em forma desses mamíferos dentuços ou em forma de ovo. Eu queria aqui reforçar que não entendo o que tem ovo a ver com coelho, coelho a ver com chocolate, chocolate a ver com Jesus entrando numa enrascada e com romanos supostamente sádicos. A história da humanidade é muito doente mesmo, puta que pariu! Como tenho bastante familiares, capricho nessa importante data católica, compro bastante chocolate, esse ano gastei em presentes praticamente um salário mínimo, e o que é um salário mínimo em comparação com o cumprimento do dever católico e a lamentação formal por Jesus ter tomado no brioco? Tem o único ponto negativo do final de semana de Páscoa, algum Romano debilóide inútil institucionalizou a bagaceirada de comer peixe na sexta feira, pois segundo manda-se, é proibido comer carne. Boa essa, peixe agora além de ter um gosto pavoroso deve dar em árvore ou então brotar do chão! Não preciso mais de evidências do uso de maconha e cocaína em Roma no tempo de Jesus, isso já me parece bem certo. É isso mesmo, esse feriado horrível do caralho, tem que comer peixe e gastar um salário mínimo em chocolate para agradar os Romanos de merda que se emaconharam com coelhos e ovos e depois fuderam a cola de Jesus. Puta-que-Pariu!

Mars Attacks!!

Meu nome é Oberdã Camargo. Sou oficial do departamento de polícia de minha cidade, um lugar imundo, pulguento, insalubre e repleto de marginais dispostos a tudo para aumentar a criminalidade, inclusive pagar o fundo de garantia. Sou um policial moderno, ágil, antenado com o mundo e um pouco nervoso. Uma pequena fatia da população reclama de meu estilo de manter a lei, mais exatamente todas que sabem ler e escrever e também alguns fdps analfabetos vagabundos. Essa gentalha inútil acha que se deve manter a lei distribuindo folhetinhos e convites para missa, elas que se fodam. Recebi um chamado via rádio para atender uma ocorrência perto do rio River, que na realidade deixou de ser rio faz umas duas décadas e agora é praticamente um esgoto a céu aberto, uma aberração podre da natureza. O chamado era para atender um acidente de trânsito, um carro bateu numa carroça bem no meio de um cruzamento distante 50 metros das margens do rio. A confusão era tão grande que deixei a minha viatura perto da margem, e me dirigi à pé mesmo até o centro da baderna. Um homem gordo, alto e bem vestido ao lado de uma Mercedes-Benz preta discutia com um maltrapilho que segurava as rédeas de um cavalo, este preso à uma velha carroça que tinha um adesivo “a inveja é uma merda”. Baderna generalizada, tentei me apresentar uma vez, mas ninguém deu a menor bola e confesso que isso me encheu de ódio. A segunda tentativa de me anunciar também não surtiu muito efeito e eu já estava de saco cheio de estar incluído nessa situação de merda. Sem pestanejar e com reflexos dignos de policiais de cinema, puxei minha Magnum 44, dei um tiro para cima e logo após, apliquei uma dúzia de coronhadas naquele gordo fdp, outra dúzia no carroceiro e para garantir, mais umas dez no cavalo, aquele bicho sem-vergonha. Tinha esquecido que tiros para cima sempre me deram azar e então caiu um urubu imundo em cima de mim. Todos esses escrotos estavam desmaiados (inclusive o cavalo) só para não conversar comigo, essas bichinhas. E as demais pessoas presentes, essas ingratas, começaram a me vaiar. Dei uns chutes pra ver se os suspeitos acordavam, merda, cravei de novo alguns dentes nos meus sapatos, todos os meus sapatos estão com os bicos furados, todos os meus sapatos enchem de água quando chove. Bem, enquanto espero todos acordarem para autuar e prender esses safados de merda, chegam duas ambulâncias, uma emissora de TV, uma viatura com o meu chefe e um vendedor do baú da felicidade. Apliquei no vendedor algumas técnicas do livro “como gerar lesões internas sem deixar marcas aparentes” e ele colocou sebo nas canelas, esse merda. Chamaram de volta às pressas uma das ambulâncias, pois levaram o cavalo morto por engano. Meu chefe deve ter ido dormir com a bundinha destapada, chegou logo me ofendendo, “Porra Oberdã, seu débil mental de bosta, isso aqui era uma batida de trãnsito, era só checar o que tinha acontecido, agora temos um cavalo morto e o vice-prefeito com lesão cerebral, seu retardado de merda!” Eu sinceramente não estando o meu chefe, no fundo talvez não passe de mais uma bichona preocupada com essa aberração de estatuto dos diretos humanos e alguma promoção. Meu chefe é uma aberração preocupada com o cavalo morto do vice-prefeito. Meu chefe é um cavalo! Depois de despejar em mim todo o ódio incontido em seu coração, ele me mandou para o distrito fazer uns relatórios que estou devendo faz só seis meses. Voltei para buscar minha viatura, estava chegando nela quando vi algo horrível e assustador, saindo de dentro do rio River duas estranhas criaturas verdes com capacetes e movimentos lerdos. Da cabeça delas saiam membros articulados. Eram marcianos e vinham em minha direção, me abduziriam e dali para a conquista da cidade, do estado e do planeta seria uma verdadeira barbada, uma chacina interplanetária completa. Saquei minha Magnum 44 novamente e passei a bala neles, esses marcianos gays de merda, meu chefe devia gostar deles, pois eram aberrações também. Além de passar chumbo nesses merdas fdps, busquei dentro da minha viatura meu inseparável acessório, meu taco de beisebol que tem escrito em seu corpo o sugestivo nome de “Exorcista”. Confesso que minha profissão às vezes me dá um certo prazer, eu gosto do que faço mesmo, comecei a espancar esses aliens veadinhos de merda até perder minha consciência, então de repente uma multidão vem em minha direção e eu já espero os cumprimentos, agradecimentos, congratulações e até antevejo a medalha ganha do presidente por ter impedido a invasão desses escrotos fdps de merda. Eles tiraram o taco da minha mão e começaram a me bater, meu Deus, devem todos estar abduzidos e dominados ou então emaconhados!! Dei alguns tiros para cima, logo vem aquela aberração correndo, o meu chefe. O cara não está em um dia bom e vem descontando em mim: “Meu Deus Oberdã, seu infeliz desgraçado imbecil de merda, você quase matou os dois mergulhadores do departamento de lixo da cidade!! Não basta o serviço de merda que eles tem?? Seu bosta inútil, você ainda vai exterminar a metade da cidade!! Some da minha frente seu animal!!” Bom pessoal, esse mundinho que vivemos é muito ingrato, é um mundinho difícil de se viver, cheio de gente egoísta, perigosa e que não conseguiremos nunca entender. Ainda bem que não perco a manha e sempre estou à disposição da lei.

Organizando a bagaça…

Estive pensando, refletindo nos últimos dias sobre alguns aspectos que fariam bem ao blog como um todo: Em primeiro lugar, acho que tem se tornado cada vez mais produtivo pensar em desenvolver textos de ficção, deixando a não ficção para quando valer a pena mesmo comentar nosso mundinho escroto. Confesso que não me faz a menor diferença ignorar a maioria do que acontece no cotidiano. Na vida real existem fatos reais e principalmente pessoas reais, e, sinceramente, elas não me estimulam em nada. Em segundo lugar, penso em como desenvolver uma metodologia de criação para os textos. Isso mesmo, seja o mais organizado possível com a sua rotina, para ter tempo de ser desorganizado com as idéias. Deparei-me com essa situação por esses dias: Fico à noite com uma página em branco e um cursor piscando na minha frente pensando em que escrever, não por falta de idéias, mas pelo excesso delas. Decidi então: Passar entre um e três dias escolhendo bem o tema e formatando a idéia, e depois passar para o Wordão. No momento esse fluxo criativo me parece razoável, pois não posto qualquer merda no blog, nem tampouco atiro ele às moscas. Então… Até daqui a pouco! Ah, antes que eu esqueça: A foto tremida que eu postei foi porque eu estava um pouco alto na terça feira. Fui tomar uns chopppsss na praça de alimentação do Bourbon com uns amigos e do nada resolvi entrar no mercado pra comprar um X14 pra limpar o banheiro de casa. Puta que pariu hein, Oberdã? Tanta coisa pra passar pela moringa depois de uma canjibrina e tinha logo que pensar em detergente? Aí tinha uma floricultura dentro do mercado, com esse cactus de merda aí da foto. Fiquei pensando em quem compraria uma merda dessas, hoje em dia só tem louco pra comprar essa bagaceiriçe porque tem louco para vendê-la.

O estupro do Conde Drácula

É meia noite e um minuto de uma quinta feira qualquer. Dentro de seu Castelo assustador e obscuro na Transilvânia abrem-se os olhos do não menos assustador Conde Drácula. Mesmo dentro de sua tumba entende que está na hora de se revelar ao mundo, sua sede de sangue não mais pode aguardar. O Conde então ergue-se de seu leito demoníaco e dá uma rápida checada em sua indumentária enquanto pensa na próxima refeição. De repente ele assume as formas de um monstruoso morcego para logo após, sair pela janela e errar pelas redondezas à procura de um pescoço suculento e se possível também cheiroso, pois o de terça feira devia ter tomado seu último banho no dia da Santa Ceia. Ele sobrevoa os arredores do centro da cidade até se deter um pouco mais em uma donzela que perambula solitária no Beco Van Dietch, tradicional antro municipal de devassidão e luxúria. “Beleza galera! Essa aí se ferrou!”. Nosso anti-herói dá alguns loopings no ar, faceiro da vida, e sorrateiramente pousa já com sua forma humana, logo atrás de sua incauta vítima. “Ummm, de perto ela parece bem maior”, raciocina o malvado Conde, “Deve ser jogadora de basquete na escola, melhor assim, maior estrutura, mais sangue”. Drácula se adianta um pouco da vítima e gira 180 graus a direita com sua flamante capa de cetim. Dá uma sacudida bem cafajeste nas sombrancelhas e dispara: “E daí neném? Vem sempre aqui? Devo estar no céu, pois estou vendo um anjo na minha frente”. A moça prontamente responde, ela está um pouco assustada e começa a falar com uma voz mais fina que os fios das meias Vivarina: “Nóóóssa moço, que susto! E que repertório fraquinho hein??” O Conde não perde o rebolado: “Você tem certeza de que me acha fraquinho baby?” E vai se aproximando mais,até abraçá-la: ”Que tal um papo mais de perto doçura? Você faz meu sangue ferver!”. Nossa pobre vítima em potencial começa a se sentir incômoda e tenta desvencilhar-se do atrevido, mas ele começa a mostrar a que veio e passar a mão por dentro da blusa da moça: “Querida você deve pensar seriamente a parar com os hormônios e anabolizantes, além de serem proibidos para atletas, deixam seu peito com cabelos demais, chega a ser broxante”. Ele começa a botar sua mão dentro da saia da pobre inocente, quando sente um volume que sinceramente lhe deixa um pouco desconfortável. “Ahn, querida do que se trata isso??, ummm se estiver menstruada…” A voz de nossa vítima nesse momento muda de um tom suave para uma mistura de Darth Vader com George Foreman. “Eu não estou menstruada, bobinho. Vem cá rapaz, vamos conversar de pertinho”. O Conde começa a tentar tirar a mão fora, mas a moça é bem maior e mais forte que o nosso Conde. “Olha, eu estava brincando viu? Sou apenas um maroto, não tenho muita noção, Joselito mesmo, entende?” A moça está um pouco excitada, com o volume já ereto por baixo da calcinha, os olhos saltados e um ar ofegante. “Vem cá meu gostosinho, que vou te fazer feliz. Vou te apresentar minha luneta, você vai ver estrelas”. O nosso protagonista tenta em vão se desvencilhar, mas a coisa começa a ficar preta: “Olha acho melhor você me soltar moça (?), eu tenho hemorróidas e sem falar que ando com um escorrimento de desanimar. Não sou uma boa opção essa noite”. A antiga vítima agora é o carrasco que põe para fora das calcinhas uma bazuca de carne e rasga as calças do vampiro, já se debatendo , chorando e gritando muito: “Olha vamos conversar, o que passou, passou. Não vai querer isso que estou pensando vai?? Olha tenho uma reputação a zelar e… Não! NÃO! NÃÃÃÃOOOO! NÃÃÃO……….. ARGH!!!!!!!!!
Passam cerca de quinze minutos, o Conde então acorda com o traseiro dormente, chora um pouco e vira novamente um morcego. Hoje ele vai pra casa com as cuecas arrombadas e com fome. Valia mais a pena o pescoço mal cheiroso de terça passada.