Coisas estranhas na Rua Baskett – Primeira parte.

Meu nome é Oberdã Camargo. Sou oficial do departamento de polícia de minha cidade, um lugar porco, macabro, infernal e repleto de marginais dispostos a tudo para aumentar a violência, inclusive encomendar material de escritório timbrado. Sou um policial tarimbado, esperto, intuitivo e com muita coceira no dedo indicador. Uma esquálida fração dos moradores de minha cidade, mais exatamente a que respira sem ajuda de aparelhos, tem restrições ao meu modo de fazer ser cumprido o que a lei determina. Essa tropa de desorientados imagina que se impõe a ordem com a marginália as convidando para um sundae com farofa de nozes, mas elas têm mais é que se danar. Estou particularmente cansado hoje, um banho em casa vai me fazer bem, inclusive em função de ter manchado de sangue minha camisa nova durante o interrogatório agora a pouco. Esse interrogatório irritou profundamente a bichinha do meu chefe. Ele ficou vermelho de raiva de mim quando me falava e me cuspia os pedaços do Donuts que estava comendo com a boca aberta. Dizia que eu estava interrogando a pessoa errada. Disse a ele que pelo menos aquele marginal pensaria duas ou mais vezes daqui para frente quando estivesse ruminando a idéia porca de cometer um crime. Meu chefe bichinha fdp ficou ainda mais brabo quando disse que o suspeito não era “suspeito” de nada, era apenas o novo encanador que havia sido contratado para resolver um problema crônico no banheiro da delegacia. Meu chefe, aquela bichinha homossexual escrota fdp acabou se engasgando de raiva e começou a ficar com a cara roxa. Eu tinha visto em algum lugar, um filme, acho que era no canal pornô lá de casa, que nesses casos deve-se dar um tranco nas costas da pessoa para salvar ela. No mais puro reflexo, coloquei meu chefe bichinha de quatro e dei um pontapé com o bico do meu 752 Vulcabrás bem engraxadinho nas costelas dele. Voou longe o pedaço de Donuts junto com mais algumas coisas. Salvar sua vida custou-lhe quatro costelas quebradas, um pulmão perfurado, meia dúzia de dentes frouxos quando ele deu de cara na parede e um montão de desaforos para comigo, meu chefe é um tremendo mal-agradecido. Dirigi o carro em direção à minha casa, enquanto pensava no banho quentinho que me esperava e também no descanso que teria enquanto meu chefe estivesse internado. Bem, as contas, droga de profissão ingrata, as contas. Um policial honesto mal consegue manter suas obrigações em dia, ainda mais com o que estão cobrando atualmente pelas indenizações. Mês passado foi difícil, três suspeitos espancados, oito lojas destruídas, seis restaurantes postos abaixo e cinco camelos mortos. Mas tudo foi em nome da lei, eu não deveria ser covardemente cobrado desse jeito. Cheguei em meu prédio após estacionar suavemente o Oberdãmóvel na calçada em frente ao açougue do Gomes, subi as escadas enquanto as pessoas saíam correndo histéricas. Uma delas desmaiou em função do que um dos vizinhos me argumentou por trás de sua porta como sendo pavor. Não dei a menor bola, afinal deve ser só mais uma bichinha homossexual afetada pelo cheiro de um macho por perto. Peguei a correspondência, entrei no elevador, apertei o botão do meu andar e curti a viagem alguns metros acima por parcos segundos. Havia dois judeus ortodoxos batendo boca no corredor do meu andar por causa da cor da barba um do outro. Confundi isso com uma tentativa de assalto e nesse momento saquei minha .44 Magnum. Eles imediatamente me perceberam e então um pulou pela janela enquanto o outro ateou fogo ao próprio corpo. No fim, achei muito engraçado isso, que gente mais louca. Entrei em casa, atirei as cartas por cima da mesa e novamente vejo meu cachorro desmaiado, preciso arrumar uma maneira melhor de alimentar o animal, acho que vou começar comprando comida de vez em quando. Esse meu cachorro é mesmo um imbecil, ele acordou e o primeiro rosto amigo que ele viu foi o meu. Esse pulguento inútil com certeza se emocionou para chorar do jeito que chorou. Abri a geladeira e achei uma lata de salsichas, provei uma, um pouco azeda, mas nada que esse cachorro idiota não possa comer. Tirei um pouco do mofo do prato dele e atirei por cima esse quitute. Não entendo meu cachorro, ele juntou suas forças e tentou se afogar na privada, ainda bem que estava entupida, caso contrário poderia ter tido sucesso na tentativa. Mas que droga de privada, acho que uma hora dessas vou perguntar ao novo encanador da delegacia se ele pode dar uma ajuda. Vou tratar de preparar meu banho. Enquanto a banheira enche vou ao quarto tirar a roupa e pegar o roupão. Percebo pela janela que dá para a Rua Baskett dois homens carregando sacos dentro de bandejas de aço inox compridas para dentro de uma porta um tanto quanto sombria, e isso não me cheira bem. O banho fica para depois, mas deixei a banheira esvaziando para que meu cachorro, quando parar de chorar, não tente outra estupidez. Verifiquei se tinha munição extra nos bolsos (em todos os bolsos) e fui até lá conferir.

Continua….

Aventuras sexuais de um macaco de circo aposentado.

Não sei de onde eu tirei o título desse post, mas isso acaba não interessando muito. Talvez hoje eu tenha chegado ao ápice da minha lucidez. Trabalho porque preciso, mesmo. Levei alguns minutos pra classificar meus colegas numa escala cultural de zero a dez. Noventa por cento deles não chegaram a um. Realmente é uma relação de trabalho, desnecessários infelizmente. Todos inteligentíssimos (o que diabos eu estou fazendo no mesmo meio?), mas vazios. Bem vamos ao que importa, por dias tenho pensado na minha aventura literária. Isso se tornou uma válvula de escape para algumas frustrações que de vez em quando batem em minha porta. É, eu queria ter escrito uma história diferente aos 17 anos, mas os hormônios em convulsão não me permitiram tal feito. Até aí tudo bem, nada que mais 17 longos anos não resolvessem… Mas ao contrário, noites incontáveis com aquele rosto passeando por milhares de sonhos, sempre tão real e ao mesmo tempo tão frustrante. Eu acho isso realmente cansativo, pois deveria ser assunto encerrado. Não o é, e realmente atrapalha. Desenvolvi uma teoria na adolescência que dizia mais ou menos assim: Um relacionamento tem seu ponto alto, seu ponto mais dramático e positivo, no primeiro beijo. Após isso, a curva desce, desce até o inevitável, que é a separação, o desejo inverso, de não estar mais ligado. O tempo? varia, mas a curva desce, isso é certo. Talvez seja esse o problema, não houve primeiro beijo. Dizer isso pro meu subconsciente é que é difícil, a impressão que eu tenho é que vou ter meu dia derradeiro e vou estar com isso preso na garganta. Minha teoria me intimidou, hoje eu sei que foi isso.Tive uma idéia de escrever além das minhas baboseiras de sempre, o que eu faço desde os 14 anos, uma história séria. Seria uma espécie de vácuo onde poderia exercitar o que eu queria que desse certo na vida real e nunca deu. “A verdadeira história sem fim”. Vou retomar esse post mais adiante tentando explicar essa idéia que tive. Por hora só passando por aqui, enquanto revisito meus velhos cds e volto a beber alguma coisa, depois de anos. No momento, “The Bends”, (Radiohead) novamente (acho que comentei no blog de alguém sobre esse CD). Comprei importado em 1998, quando não dava pra baixar no E-mule e afins. Ótimo, tristíssimo e depressivo o suficiente pra inspirar qualquer um, todas as letras foram escritas pelo vocalista bêbado, no fundo do ônibus, sempre no final dos shows, excelente do início ao fim, destaque, é claro para “High And Dry”, “Bullet Proof…I Wish Was” , “Black Star”, “Sulk”. A boa notícia foi que eu achei finalmente “Fear and Loathing in Las Vegas” (Medo e Delírio, na tradução porca de sempre), com o Jonnhy Depp e o Benicio Del Toro. Esse filme realmente me agrada e vale a pena.

Voltando…

Oi imaginopessoas, voltei. Vou confessar que dei uma de louco e resolvi segurar as postagens, pois vou fazer um livro Underground. Não, não se trata de um relato textual das minhas experiências com o Need For Speed, apesar de eu apreciar tanto a série a ponto de comprar os jogos originais. Quando eu falo de um livro Underground quer dizer que estou juntando umas oitenta ou noventa páginas de histórias,muitas do Oberdã Camargo, outras de coisas que não envolvem ele, mas digamos, também representam meu ponto de vista acerca de alguns cenários da vida atual e dos perfis de um monte de gente com quem eu sou obrigado a me relacionar(Confesso que me faz falta 15 anos a menos, não que eu tivesse mais ou menos liberdade de mandar longe essa galera, era que eu não pensava nas consequências desagradáveis disso antes). Bem, voltando para minha epopéia literária, decidi isso por pura falta de uma aventura real. Acorrentado às responsabilidades que 34 anos de vida nos impõe, era o que me restava. Mas não vai deixar de ser divertido, afinal agora posso me dar ao luxo de produzir por conta própria 100 ou 200 cópias de um livro e distribuir por aí, de graça é claro, pois acho que ninguém pagaria por um amontoado de linhas neuróticas e desencorajadoras para qualquer ser humano com um mínimo de coerência.Voltem imaginopessoas, no domingo à tarde devo dar uma palhinha aqui.