Uma pequena reflexão sobre Sun Tzu

Estive mês passado no litoral de São Paulo, na belíssima praia do Guarujá. Foram dois períodos de 3 dias no excelente hotel Casagrande, de frente para o mar limpo e morno. A empresa em que eu trabalho e que faz parte de um grupo gigante de telecomunicações, criou um programa de formação de gestores, onde o mesmo aprimora e dá mais e melhores ferramentas voltadas para a gestão de equipes e também para nos ajudar a entender e praticar mais a gestão de custos, logística e estratégia. No mínimo, posso dizer que pessoalmente foi uma magnífica experiência de vida.

Eu estava com expectativas confusas em relação a essa empreitada. Havia sim, a certeza de que seria um treinamento valoroso tanto para a minha vida profissional, quanto para a pessoal. Porém, eu tenho sérios problemas em me relacionar com outras pessoas, somados a um preconceito sem igual entre meus colegas na empresa. Simplesmente vejo o que na minha cabeça limitada chamo de choque cultural, como impeditivo para levar qualquer tipo de conversa que não seja em função das lides do dia-a-dia. Mas superei isso parcialmente, creio. E o espero que seja bom para todos e para a empresa. E vamos seguir nesse caminho.

Mas olhando pelo lado do que não foi tão bom, e que talvez não o seja apenas para mim, uma coisa marcou nesse treinamento, e que é uma coisa que não é novidade alguma. Mas foi um pequeno detalhe me chamou muito a atenção, apesar de num âmbito geral eu classificar o treinamento como sensacional.

Tempos atrás, escrevendo (tentando) a resenha de um filme, citei uma frase, que alguns atribuem a Sun Tzu, mas que ninguém tem certeza, pois também é atribuída a um Romano.

Mas sendo direto, condeno a utilização das obras desse senhor da guerra como incentivo psicológico e como motivação nos dias de hoje. (Esse texto não entra no mérito, mas não concordo com motivação que não vem de mim mesmo).

O módulo mais esperado do treinamento (e de fato o melhor, ministrado por um professor muito bom chamado Eustáquio Penido), chama-se “Gestão de Pessoas”. Ele nos aponta na direção do ideal, o respeito às opiniões diversas, a prática de escutar mais os outros, o exercício da negociação. Isso deveria “vir de fábrica” nas pessoas, mas não vem não. Então justifica-se o gasto de algumas dezenas de milhares de reais para levar turmas de 40 pessoas a esse lugar confortabilíssimo e tentar mostrar pra elas que é necessário adquirir esse comportamento.

Mas durante o módulo ministrado pelo Professor Eustáquio, ele chama para uma ou outra frase do Tzu. Me perguntei se não seria incoerente isso, em uma aula voltada para aprimorar o relacionamento pessoal, usar técnicas de guerra. Uma das frases começa-va com “Se você não conhece o inimigo…”. Para tudo! Inimigo? É assim que devemos encarar colegas? Fornecedores? Em nenhum contexto concordo com isso. Chega de inimigos. Carl Sagan chamava a Terra de “pálido ponto azul”. Somos um micróbio tanto em tamanho como em linha do tempo na vida do universo. E as pessoas aqui fazem e reverenciam…. guerras. Nos dias de hoje mesmo as mais esclarecidas e cultas cometem o deslize de fazer uma ou outra reverência aos grandes generais.

O quanto será que o livro do Tzu “A Arte da Guerra” contribuiu para o canibalismo comercial do século passado e deste? O quanto os pensamentos deste general reverenciado por presidentes, diretores,e sumidades da máquina industrial global contribuiu de maneira irreversível para a selvageria econômico-financeira mundial? Das “vitórias” das empresas, bancos, indústrias, conglomerados ao comerem-se umas às outras?

Acho que o ser humano precisa ser ainda mais revisto do que eu pensava.

GRE -NAL – Clássico é clássico e vice-versa

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(“This is the last time”, caraca de mulher que não sai da minha cabeça) – Eu tenho a mania de dizer que a estupidez humana não é para principiantes. Não devia banalizar as coisas, eu acho errado condenar preconceituosamente a maioria por coisas protagonizadas por um ou outro babaca. Mas às vezes a impressão que eu tenho é que realmente o mundo vai ser dominado pelos idiotas.

Abandonei o futebol faz uns anos, uns dois acho. Desisti depois de constatar que os dirigentes do clube para o qual eu torcia comandavam o clube mais por vaidade e para marcar território. Era e ainda é, uma questão de glamour, de holofotes e afirmação social. Se der tempo eles pensam no time. Some-se isso ao fato de que o futebol no meu caso, só me causou despesas. Pensei: Por quê não gastar dinheiro em outras coisas mais prazerosas e significativas? Por algo que acrescente de fato algum valor? Tratei de ir me ocupar de outros assuntos. Mas parece que enquanto alguns olham de uma maneira mais pacata para essa questão do futebol, outros querem brigar, bater e morrer por isto.

Dia quatro de março eu tinha aula, esse semestre por umas questões delicadas não tenho aulas todos os dias, mas as quartas feiras são dias de aula na faculdade. Nessa em questão tinha jogo do Internacional (eu torcia para o Grêmio) em um dos campeonatos nacionais. Estava eu em aula e perto do intervalo um colega torcedor do Internacional me questionou se eu sabia como estava o placar. Respondi que não, mas percebi um ar de ansiedade nele, fiquei com pena do cara, e já que tinha me feito uns dois ou três bons favores semestre passado, optei por tentar ajudá-lo. Pensei: “Vou ligar para o setor de Operação lá do serviço”. Na operação são monitorados todos os sistemas da minha empresa, vinte e quatro horas por dia. O pessoal tem acesso direto a Internet, então se não houver quem esteja acompanhando a partida, pode pesquisar rapidamente e ter o resultado. Fiz a ligação e ela caiu em um colega de serviço que vou aqui chamar de “fundamentalista”. Disse boa noite, me identifiquei e perguntei se tudo estava bem. Logo perguntei também se ele poderia me responder o placar. Esse cara é conhecido na minha empresa por ter verdadeira obsessão pelo Internacional. Ele comentou “tu está ligando para me aborrecer e atucanar”. Respondi que estava tentando prestar uma gentileza a um colega de aula e que ele não precisava se aborrecer era só responder que eu desligaria. O cara se recusou e foi um bocado ríspido. Bom, eu comentei algo que não lembro e desliguei. Disse para meu colega de aula que não tinha conseguido.

Um dia depois, na quinta feira, estou eu online por volta das 23:30 quando esse meu colega de serviço me contata pelo Messenger com algo nesse teor: “Sem vergonha secador, agora eu te digo quanto foi o jogo, meu time ganhou, não adiantou tu me incomodar”. Eu comentei, “Fundamentalista, hoje não precisa mais, precisava saber ontem, era para o meu colega de aula”. Fundamentalista continuou: “Quer que eu acredite?” Eu ainda tentei argumentar que era inacreditável uma pessoa colocar um relacionamento cordial por água abaixo em função de uma coisa tão sem valor quanto discussão por futebol. Fundamentalista ainda argumentou: “Não interessa, paciência. Meu time é mais importante”. E ele estava brabo, isso em si não me preocupou. Tentei entender o cara, mas simplesmente bloqueei o Messenger dele e depois deletei.

Nunca mais quero contato.

Esse tipo de ser humano é o responsável por brigas em estádios. Em algumas vezes tragédias. Será que futebol vale tanto amor assim? Ou será que é um misto de amor com paixão imbecilizante? Meu colega de serviço foi imbecilizado pelo futebol, quer dizer, se deixou imbecilizar. Sorte que eu só preciso de contato profissional com ele.

Aconteceu em uma grande empresa de Internet no Brasil – Parte 2

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Aquela situação imaginária ainda não saiu da cabeça criativa do autor. A conversa imaginária com a pessoa mais imaginária ainda no RH também não sai da cabeça dele. Veja leitor, que muitas das pessoas imaginárias que souberam do assunto comentaram que o evento sequer devia chegar aos ouvidos do autor. Perceba o que qualquer pessoa com bom senso e um mínimo de juízo não faria tamanho barulho por duas garrafas de uísque. Simplesmente porque primeiro não guardou em lugar devidamente seguro, segundo pelo valor aparentemente insignificante dos artefatos que sumiram.

Não dá para esquecer que os suspeitos do sumiço foram tratados como eram tratados prisioneiros da Gestapo do Departamento A2. A funcionária imaginária do RH tem garras poderosas escondidas sob unhas bem cuidadas, e estão prontas a dilacerar a alma de quem não confessar crimes que não cometeu.

As curiosidades do caso: Um funcionário da empresa de vigilância logo após o evento, pediu para trocar de posto e ir fazer vigilância em outra empresa. Segundo consta no imaginário do pessoal (imaginário) que convivia com ele, em seu turno algumas outras coisas desapareceram, e viram ele vendendo uma garrafa de uísque na rua ao lado. Nem assim ele pode ser acusado de nada. E o autor que nunca fez nada de errado e nem foi visto fazendo, deveria ser acusado? Outra coisa engraçada, fruto da imaginação fértil do autor: A mesma pessoa no RH que insinuou ao autor que ele era sem-vergonha por usar táxi fora de hora às custas da empresa, é vista mais de uma vez em seu turno de trabalho, tomando banho de sol em um famoso clube da cidade cercada de todos os brindes que a empresa distribui para assinantes. Vamos adaptar o ditado popular: “Pregou moral de calcinha, e para a pessoa errada”.

Não se trata mais de reclamar que estamos em um mundo (imaginário) perdido. Não se trata mais de revisar valores e sim de encontrá-los em meio a uma parcela da sociedade que perdeu o rumo de maneira aparentemente definitiva. Uma parcela que dá valor à aparência, à politicagem barata, ao culto à falta de personalidade.

Ornitorrinco

Ornitorrinco

Não costumava medir os acessos ao blog. Não escrevo aqui em busca de acessos ou de pessoas que se solidarizem à minha doença silenciosa. Mas aconteceu uma coisa que me chamou a atenção. Dos mais de doze mil acessos aqui uma parcela significativa deles são de pessoas que buscam informações sobre…Ornitorrincos! Isso mesmo, ornitorrincos. Esse pitoresco mamífero com bico de pato. Um ornitorrinco chama mais a atenção do mundo que tudo que eu já escrevi junto. E isso que ele não está em extinção.

Os 5 melhores vocalistas do rock

Contrariando o que eu coloquei em um post dias atrás e para exercitar um pouco minha técnica de argumento, resolvi parar e pensar nos meus vocalistas preferidos e porquê eles são os meus preferidos. Então…vamos lá!

Se você espera encontrar aqui Bruce Dickinson, Robert Plant, John Lennon ou o Marcelo Camelo, sugiro nem continuar,  afinal não sou crítico musical, nem muito menos tenho obrigação de curtir o que a massa curte.

O que eu levo em consideração para julgar os cinco melhores? Primeiramente eles tem que possuir algo a me passar, alguma mensagem, ou a sua atitude em relação as coisas, ou seja, eles tem que ter algo em comum comigo, procurar algo, respostas ao longo de suas vidas. Ou então apertaram o botão do foda-se em algum momento.

5º lugar: Bono Vox

Bono Vox

Não é errado pensar que uma grande banda tem que ter, obrigatoriamente, um grande frontman. Banda nenhuma que se preza dá pouco valor às apresentações ao vivo, e quando ela começa a ter como rotina shows gigantescos e seu cast é de apenas quatro músicos, torna-se indispensável a presença do “Pastor”, o cara que vai comandar a massa por algumas horas. E Bono antes de mais nada, é “O” frontman. Ele conduz os shows do U2 como poucos no mundo musical. Se você puder ir em um show do U2, vai esquecer suas contas, sua família problemática e aquele bando de idiotas no serviço. Sua alma é do Bono, por duas horas, você vai agradecer por isso a vida inteira e ainda contar pros seus netos.De quebra, ele não desistiu da humanidade, apesar de ser bem compreensível se quisesse. Meu som preferido é “Bad”

4 º lugar: Joey Ramone

Joey Ramone

Muitos vocalistas, a grande maioria até, pode-se dizer que tem a voz inconfundível, afinal também é pela voz de seu cantor que se reconhece uma banda. Mas de todos acho que o Joey Ramone é o maior exemplo disto. Ele certamente não era um cara com um grande dom, a técnica passava longe ali (e de todos nos Ramones). Mas ele era um cara performático à moda dele. Imagino que, assim como eu em minha distante juventude, em muitas madrugadas chuvosas longe de casa junto de um monte de malucos bêbados em lugares barulhentos, sujos e violentos, deve ter se perguntado: “Mas que porra eu estou fazendo aqui? Que hora para acabar a bebida!”. Esse cara influenciou muita gente, e põe muita gente nisso, pois transmitia energia em suas músicas, muita energia. Música é antes de mais nada, energia sonora. O som que eu mais gosto (e  excepcionalmente neste caso outros cinqüenta milhões de pessoas) é “Blitzkrieg Bop”.

3º lugar: Joe Elliott

Joe Eliott

Se tem um cara que sabe colocar a voz em uma musica de um jeito canastrão e legal, esse é o Elliot. Tem uma ótima noção de arranjo e junto com os riffs bem bolados do Def Leppard fez músicas memoráveis. Dentro do NWOBHM, para mim, é ele e mais dez. O cara passa uma imagem de quem sempre está disposto a investir numa mulher, mesmo que vá dar em nada e ele se queime. Ele às vezes parece um Poser “do bem”, se é que essa merda existe. Minha música preferida é “Have You Ever Needed Someone So Bad”.

2º lugar: Michael Hutchence

Michael Hutchence

Esse cara era muito versátil, tinha uma dinâmica muito acentuada e sua voz era potente. Conseguia dar a energia de uma bomba em um som, e um ar blasé em outro, dentro do mesmo show, ele era vários ao mesmo tempo e o INXS acho que nada seria se ele não tivesse pego a estrada junto. Era um cara intenso e cool mesmo, e ouvindo ele cantar dava pra curtir um monte. Esse era outro cara muito mulherengo e acho que a vida dele era centrada em mulheres, ele parece que precisava cem por cento do tempo estar vivendo algo intenso com uma mulher. E isso deve ser muito bom. Muito ruim ele ter se matado, e contam, foi por causa de uma mulher. Uma pena, pois poderíamos estar ainda hoje curtindo músicas novas dele. A minha preferida do INXS é “Tiny Daggers”.

1º lugar: Richard Butler

Richard Butler

Bom esse cara pra mim dispensa grandes comentários, por vezes acho que o The Psycodelic Furs não era uma banda e sim uma reunião de sociopatas. Acho que se o Joker da HQ “The Killing Joke” fosse o vocalista de uma banda, ele seria o Butler com sua voz engordurada, sua empáfia, seu ar de foda-se todo mundo com o dedo médio em riste. As músicas do TPF são uma névoa de loucura e um convite a pensar que nada mais tem solução, elas são lúcidas e sombrias, afinal não dá pra cantar o desespero e a desistência da espécie em ritmo de Axé. Minhas músicas preferidas são “All That Money Wants”, “All Of The Law”, e “Shine”.



Ironia

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Eu passei uma parte da vida gastando com peças para as minhas guitarras. Comprei pedais, racks, cabos, cases, pedaleiras, amplificadores e afins. Perdi a paciência tentando timbrar tudo, achava que os efeitos não casavam bem e aí comprava mais outros tantos. Dias atrás meu amigo me deu um programa que faz tudo que eu sempre quis e muito mais, que é experimentar todos os efeitos possíveis no meu som.

Agora eu tenho o mais puro som de válvulas dentro do meu notebook.