Nostalgia

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Comentei esses dias que mudei de quarto. Dei o “creme de la cream” que eu podia para a Matusquela e para o Bisnaguinha. Sinceramente achei que eles iam curtir bem mais. Pelo jeito não fez a menor diferença. Os brinquedos continuam a me seguir por todos os cantos da casa, juntamente com os dois. Reclamo agora, reclamarei depois quando eles forem grandes e não me seguirem mais, esse é o curso da vida. Mas algumas coisas foram legais nesse processo. Eu havia empacotado meus quadrinhos e livros desde que fiquei noivo da minha esposa, encaixotei tudo e lacrei, para facilitar o processo da mudança para o apartamento(eu noivei sabendo que casaria menos de um ano depois). Meus livros, revistas de F1, aviação militar, quadrinhos e afins eram então meu último elo com a adolescência (ahn me casei com 29 anos). De lá para cá, não sei se em função de outras prioridadades ou de um móvel para acomodar tudo, deixei tudo nas caixas debaixo da cama. A mudança me trouxe isso de volta, mexi nelas e pude ver como é legal olhar essas coisas tempos depois e sentir a mesma empolgação ao folheá-las. Achei uns cadernos da faculdade (só tive dois), muitos polígrafos das aulas de física que eu gostava muito, desenho, cálculo e tudo o mais. Isso até que não mexeu muito comigo. Mas achei umas coisas que me fizeram sentir 20 anos mais novo: uma lista escrita à mão com discos imperdíveis que eu deveria comprar quando estivesse bem de vida, achei legal ver que mesmos sem me lembrar dessa lista, dela só não tenho todos os do Cowboy Junkies e os do Lloyd Cole. Acabei agora dando uma incerta no youtube e achei os clipes das músicas deles que eu curtia mais. Até os discos do White Lion, Cocteau Twins, Hoodoo Gurus eu tenho. Meu gosto musical permanece o mesmo, não sei se deveria mudar com o passar dos anos, mas eu sou feliz pelo fato dele não mudar. Sinto muita falta de ouvir os meus cds, não os escuto em função de estar sempre esperando por um telefonema idiota com um problema de outro mundo idiota no celular do plantão aqui da empresa, esse merda de plantão da minha área sou eu desde sempre, e estou sempre atento e disponível.

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Encontrei nas caixas coisas que sempre me fascinaram, achei meu exemplar da piada mortal, história do Batman roteirizada pelo Alan Morre e desenhada pelo Brian Bolland em 1988 e que me fez na época querer ter uma tatuagem no braço com um dos desenhos dessa hq. Vou fazer isso nos próximos dias e foda-se. Achei meus MADs, minha coleção do Groo, meus Chiclete com Banana, meus Homem Aranha e meus Asterix. Fiquei horas revendo um por um, muito concentrado, não vi o tempo passar.Agora eu estou lendo todos, um por um, bem devagarinho. Eu devia mesmo é trocar de quarto todos os dias. Mas talvez aí esses momentos sensacionais perdessem um pouco a graça.

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Eu quero dormir de verdade.

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Meu pouco sono de verdade nos últimos dias tem sido povoado por sonhos recorrentes. Ela tem aparecido do nada seja lá o estado de suspensão maluca de sentidos que eu esteja enfrentando na hora. Mas é sempre com o mesmo objetivo, “veja só, pelo menos aqui a gente pode tentar dar certo”. É uma coisa que me perturba muito logo nos primeiros minutos que estou acordado, me perturba relativamente durante o banho e até a metade do caminho que me traz aqui no serviço.

Eu deveria me conhecer melhor depois de tantos anos, mas não. Não sei o motivo dos sonhos. Em alguns deles algumas ex-namoradas aparecem, nenhum significado pra elas além de fazerem o papel de vasos de flores (novelas sempre têm vasos de flores, estou escrevendo uma tese de como escrever novelas, aliás, a tese é de que não existem autores de verdade, trata-se de uma máquina, isso vai ser postado em breve). Até aí tudo bem, as ex-namoradas tiveram algo mais a ver comigo, mas ela não. Ela sempre foi inalcançável, sempre esteve um pouco mais adiante do que eu podia, ou do que eu queria. Mania de querer o ideal, muita gente desiste do ideal após a adolescência menos eu, eu ainda quero o ideal. O maldito, o idiota, o cretino…ideal. Chega! Eu devia acordar de verdade, dos sonhos impossíveis em curtos períodos de sono, da vontade de gritar o que eu não posso, de dizer a todos o que devem e eu acho que precisam ouvir. Eu devia me contentar com o mundo real cheio de coisas intoleráveis. Eu devia me conformar com o fato do carinha passar com o sinal vermelho e se for multado recorrer da multa mesmo sabendo que está errado.

Eu devia me conformar com o tempo que não vai voltar atrás. Eu sou estranho: Vivo dizendo pra mim mesmo como deve ser ruim não ter de volta o grande período da vida, que quem pensa assim deve ser triste para caramba, que deve ser realmente alucinante no sentido de “que bosta, e agora?”. É meio como aquela velha que diz no vídeo uma piada mais velha que ela: “Esse negócio de vício não existe, fumo maconha há trinta anos e não sou viciada”.

Isso mesmo: Do alto de trinta e poucos anos eu inconscientemente já cobro o tempo que não volta atrás. O que vai ser mais adiante? O tempo começa a passar rápido. É bom eu ver bem como vou lidar com a vida.

Domingo

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Pois é. Eu disse que passaria pelo blog ontem, aliás, eu não disse bem isso, eu disse que estaria aqui no serviço e se desse, escreveria alguma coisa. Não deu. Combinei com o pessoal que participaria da última etapa da obra de integração dos grupos geradores as 09h30min. Ninguém é de ferro, liguei as 09:30 para o supervisor de manutenção, questionei se tudo estava bem e como a resposta foi sim, avisei que me atrasaria alguns minutos. Cheguei 20 minutos após o combinado, as 09h50min, já sendo abordado na entrada do prédio com a informação de que houvera problemas com o ar condicionado do data center. Muitas máquinas fritando, mas a situação normalizando aos pouco… Do ponto de vista de Infra-estrutura. Do ponto de vista de redes e também de sistemas era só o começo da encrenca. Alguns equipamentos de travaram em função do aumento absurdo de temperatura e tiveram de ser reiniciados. Alguns não voltaram, um concentrador de rede pirou e muitas horas depois veio a descoberta de que um de seus slots tinha partido dessa para uma melhor. E pensar que tudo isso foi iniciado por um pequeno acidente, onde um sinal remoto a partir do CLP de um dos geradores suprimiu a presença de energia na bobina de mínima do disjuntor geral de cargas criticas e então o fez abrir. Como nenhum sistema de ar que se preze volta a se ligar sozinho por fatores de segurança, a temperatura começou a subir até alarmar na monitoração todos os equipamentos. Uma pequena imperícia por parte do funcionário da fornecedora que está realizando a obra, um simples contato fechado na hora errada causou problema no stream de TV para vários países da América Latina, causou telefonemas, muitas pessoas vindo ao centro de operações no fim de semana, telefonemas nada brandos entre diretorias, gerências e afins e eu, sempre eu, metido no meio disso tudo. Meus 30 e poucos quilos acima do peso agradecem a esse stress constante. Aliás, meu coração, pulmões e cérebro, que passam de médico em médico em uma caravana que vai durar todo esse ano, também agradecem. Chega o momento em que eu me pergunto se tudo isso vale a pena e até onde realmente irá me levar. Não se trata mais de estar fazendo o que se gosta, pois ninguém no mundo deve gostar de estar 24 horas por dia em estado de alerta e mesmo a noite, estar semi-acordado. Perco eventos com a família, perco saídas com os amigos, perco finais de semana inesquecíveis que nunca vou saber como seriam. Me pergunto: Quem mais, aqui além de mim, sofre com isso? Será que só eu me preocupo desse jeito? Claro que não, mas onde está o segredo que faz das outras pessoas seres normais, que tem lazer e tudo mais? O segredo sou eu. Só pode, ter alguém que vive para manter a empresa e seus data centers no ar, que extingue os neurônios a procura de sistemas que permitam ganho de performance sem custos, de métodos de trabalho que permitam simples eletrotécnicos se portarem como engenheiros. Quando algo não acontece dentro desse contexto, sempre algo tem a ver comigo.    

Esse é o segredo, alguém se ferrando para a maioria estar tranqüila e serena.Eu me pergunto até quando tudo isso vai. Sim, em uma empresa com presença tão forte em tantos países como a que eu trabalho nada é para sempre. Uma hora é mais atraente fechar a operação Brasil e aí um monte de gente vai pra rua aqui e empregos se criam em outros lugares. As seqüelas deixadas não são nem varridas para debaixo do tapete, para não dar trabalho.Todos meus sonhos, meus textos e histórias, todos meus aviões, invenções, jogos, filmes, paixão por música, convívio com quem amo, tudo isso vai se perdendo em nome do conforto financeiro e de uma relativa garantia de futuro para meus pequeninos.

Passando por aqui.

Ibanez

 

Ahn, eu andei por aqui hoje, dando uma olhada nas estatísticas. Elas refletem o marasmo dessa pocilga. Natural, afinal acontece de tudo ultimamente, menos eu me dedicar a isso aqui. Devo o final de uma tosca situação, e colocar algumas outras coisas também. Fico pensando, eu devo ser o único cara que paga hospedagem e domínio na internet e não faz uso. Saco.Andei tatuando o braço e confesso que achei legal o processo, vou fazer outras tatuagens, várias delas. Essa primeira foi de um pica pau, mas não um qualquer e sim o mais retardado deles, o Billy Joe, desenho rascunhado em 1941, para o primeiro desenho só dele. Sempre gostei dele, aliás tanto que desenhei gigantescamente no braço esquerdo. Já combinei com o meu amigo Mano Tattoo um pacote de tatuagens, semana que vem vai ser um Coyote clássico segurando uma placa de socorro e com uma bigorna ACME caindo em cima dele, nada mais ilustrativo da minha vida do que isso.Tava vadiando pela rede hoje e achei uns vídeos do Psychedelic Furs no youtube, de duas músicas deles que são as minhas preferidas, “Here Comes Cowboys” e “All That Money Wants”.Meu serviço está me cansando, tenho reunião quase todos os dias e percebi uma coisa esses dias: O esforço que eu faço para me manter “dentro” das reuniões. Eu de repente olho para o nada e começo a viajar, percebo e faço força para voltar, cada vez mais força. não sei se é porque os assuntos são sempre os mesmos, as cabeças são as mesmas e os assuntos são os mesmos. Tento ser simpático quando o assunto foge um pouco da pauta, para descontração de todos. Mas são assuntos tão… ruins! Acho que tenho mais afinidade com o cachorro da filha da vizinha do meu tio do que com meus colegas.Aqui no serviço estão estipulando os objetivos do ano para os funcionários, isso mesmo em final de junho. Me peguei com mais da metade dos meus já concluídos e dos meus “capangas” três quartos deles prontos também, o que sinaliza para um fim de ano não tão agitado quanto os dois últimos.Mandei minha guitarra para mais uma revisão, comprei um cubo novo (não gostei dele também) e devo comprar alguns pedais uma hora dessas. Me mudei…. de quarto! Troquei o meu pelo dos meus filhos, agora eles tem um quarto grandão e eu durmo apertado com a patroa, o que não se faz pelas crias… Comprei um carro novinho em folha para o meu pai, que ele jurou de pé junto que ia pagar, mas até agora sou sócio contribuinte dele, os velhos quando ficam velhos voltam a ser crianças com pouca responsabilidade, espero não fazer isso com os pequenos.Ando acompanhando ainda mais de perto o mundial de F1, o primeiro após aquele otário do Schumacher pendurar o capacete e confesso estar feliz, pois sou torcedor feroz da McLaren (para a alegria da minha mãe) desde que a Tyrrell foi pro espaço. O Lewis parace tão promissor quanto muitos pilotos que passaram pela categoria, com a diferença de que pegou um carro excelente e um companheiro que é muito bom, é a famosa situação ” no lugar certo e na hora certa”. A dedicação dele me surpreende também, usa muito o simulador e hoje em dia o simulador é muito fiel as pistas reais.

Bom, vou chegando, vou trabalhar aqui amanhã(mais um sábado que nunca vai voltar para eu curtir), acho que escrevo alguma coisa.