Coisas estranhas na Rua Baskett – Fim

Para quem não leu, a primeira parte está aqui.

Na descida me deparei com uma ambulância, ela estava recolhendo um Judeu boca-aberta que havia se atirado da janela do meu prédio. O Judeu deve estar com depressão, a doença da moda hoje em dia. Espreitei por um cantinho próximo à entrada do imóvel onde estavam adentrando os marginais e aquelas bandejas suspeitíssimas. Ouvi alguma coisa desconexa que estavam conversando e percebi manchas de sangue na roupa dos suspeitos. Era a hora de cumprir com o meu dever, de atender o nobre chamado da profissão. Saquei com estilo minha Magnum e dei dois disparos para cima enquanto tirava do bolso meu distintivo e me apresentava para aquela gentalha. Dei dois passos para frente e o Homem-Aranha caiu em cima de mim com cara de poucos amigos e me xingando muito. O Homem-Aranha se acha o rei do pedaço. Eu já andava meio farto dele e como eu queria resolver rápido o impasse dei duas coronhadas no cabeça de teia seguidas de um sermão à moda Turca. Os suspeitos ficaram estáticos olhando o que estava acontecendo e acabaram deixando a bandeja cair. Fiquei estupefato com o que vi. Tinha quarenta e três peças de picanha defumada embaladas individualmente com o nome “Cabanha do Gomes”. Achei que deviam estar escondendo alguma coisa e abri todas, rasguei as embalagens e cortei todas elas, uma por uma. Devia ser o lote comum, pra despistar. Tentava arrancar alguma coisa daquela marginália, quando se aproximam o meu vizinho açougueiro, o Gomes com cara de poucos amigos, o Homem-Aranha chorando e mostrando as calças com dois enormes buracos na altura da bunda e o meu chefe todo enfaixado, cuspindo pedaços de Donuts. Corri os dois primeiros à bala mesmo, mas tive que ouvir meu chefe bichinha fdp ter um ataque enquanto tentava me explicar que eu havia estragado a inauguração da mega casa de carnes do Gomes. Vou eu saber? Na dúvida sempre vou conferir, afinal a população precisa de alguém que defenda sua segurança.

Coisas estranhas na Rua Baskett – Primeira parte.

Meu nome é Oberdã Camargo. Sou oficial do departamento de polícia de minha cidade, um lugar porco, macabro, infernal e repleto de marginais dispostos a tudo para aumentar a violência, inclusive encomendar material de escritório timbrado. Sou um policial tarimbado, esperto, intuitivo e com muita coceira no dedo indicador. Uma esquálida fração dos moradores de minha cidade, mais exatamente a que respira sem ajuda de aparelhos, tem restrições ao meu modo de fazer ser cumprido o que a lei determina. Essa tropa de desorientados imagina que se impõe a ordem com a marginália as convidando para um sundae com farofa de nozes, mas elas têm mais é que se danar. Estou particularmente cansado hoje, um banho em casa vai me fazer bem, inclusive em função de ter manchado de sangue minha camisa nova durante o interrogatório agora a pouco. Esse interrogatório irritou profundamente a bichinha do meu chefe. Ele ficou vermelho de raiva de mim quando me falava e me cuspia os pedaços do Donuts que estava comendo com a boca aberta. Dizia que eu estava interrogando a pessoa errada. Disse a ele que pelo menos aquele marginal pensaria duas ou mais vezes daqui para frente quando estivesse ruminando a idéia porca de cometer um crime. Meu chefe bichinha fdp ficou ainda mais brabo quando disse que o suspeito não era “suspeito” de nada, era apenas o novo encanador que havia sido contratado para resolver um problema crônico no banheiro da delegacia. Meu chefe, aquela bichinha homossexual escrota fdp acabou se engasgando de raiva e começou a ficar com a cara roxa. Eu tinha visto em algum lugar, um filme, acho que era no canal pornô lá de casa, que nesses casos deve-se dar um tranco nas costas da pessoa para salvar ela. No mais puro reflexo, coloquei meu chefe bichinha de quatro e dei um pontapé com o bico do meu 752 Vulcabrás bem engraxadinho nas costelas dele. Voou longe o pedaço de Donuts junto com mais algumas coisas. Salvar sua vida custou-lhe quatro costelas quebradas, um pulmão perfurado, meia dúzia de dentes frouxos quando ele deu de cara na parede e um montão de desaforos para comigo, meu chefe é um tremendo mal-agradecido. Dirigi o carro em direção à minha casa, enquanto pensava no banho quentinho que me esperava e também no descanso que teria enquanto meu chefe estivesse internado. Bem, as contas, droga de profissão ingrata, as contas. Um policial honesto mal consegue manter suas obrigações em dia, ainda mais com o que estão cobrando atualmente pelas indenizações. Mês passado foi difícil, três suspeitos espancados, oito lojas destruídas, seis restaurantes postos abaixo e cinco camelos mortos. Mas tudo foi em nome da lei, eu não deveria ser covardemente cobrado desse jeito. Cheguei em meu prédio após estacionar suavemente o Oberdãmóvel na calçada em frente ao açougue do Gomes, subi as escadas enquanto as pessoas saíam correndo histéricas. Uma delas desmaiou em função do que um dos vizinhos me argumentou por trás de sua porta como sendo pavor. Não dei a menor bola, afinal deve ser só mais uma bichinha homossexual afetada pelo cheiro de um macho por perto. Peguei a correspondência, entrei no elevador, apertei o botão do meu andar e curti a viagem alguns metros acima por parcos segundos. Havia dois judeus ortodoxos batendo boca no corredor do meu andar por causa da cor da barba um do outro. Confundi isso com uma tentativa de assalto e nesse momento saquei minha .44 Magnum. Eles imediatamente me perceberam e então um pulou pela janela enquanto o outro ateou fogo ao próprio corpo. No fim, achei muito engraçado isso, que gente mais louca. Entrei em casa, atirei as cartas por cima da mesa e novamente vejo meu cachorro desmaiado, preciso arrumar uma maneira melhor de alimentar o animal, acho que vou começar comprando comida de vez em quando. Esse meu cachorro é mesmo um imbecil, ele acordou e o primeiro rosto amigo que ele viu foi o meu. Esse pulguento inútil com certeza se emocionou para chorar do jeito que chorou. Abri a geladeira e achei uma lata de salsichas, provei uma, um pouco azeda, mas nada que esse cachorro idiota não possa comer. Tirei um pouco do mofo do prato dele e atirei por cima esse quitute. Não entendo meu cachorro, ele juntou suas forças e tentou se afogar na privada, ainda bem que estava entupida, caso contrário poderia ter tido sucesso na tentativa. Mas que droga de privada, acho que uma hora dessas vou perguntar ao novo encanador da delegacia se ele pode dar uma ajuda. Vou tratar de preparar meu banho. Enquanto a banheira enche vou ao quarto tirar a roupa e pegar o roupão. Percebo pela janela que dá para a Rua Baskett dois homens carregando sacos dentro de bandejas de aço inox compridas para dentro de uma porta um tanto quanto sombria, e isso não me cheira bem. O banho fica para depois, mas deixei a banheira esvaziando para que meu cachorro, quando parar de chorar, não tente outra estupidez. Verifiquei se tinha munição extra nos bolsos (em todos os bolsos) e fui até lá conferir.

Continua….

E agora, Oberdã?

Ultimamente tenho ficado um pouco cabreiro com meu comportamento no que tange ao sexo, pois alguns fatos estão me alertando para esse delicado aspecto da vida humana. Tive um sonho há algumas noites, e esse sonho me preocupou deveras, até porque se isso acontecesse na vida real não sei qual seria minha reação. Eu simplesmente do nada apareci em uma casa que não faço a mínima idéia de onde fica, era uma casa bacaninha, espaçosa, dois andares e banheiros grandes. De repente eu estava sem roupa, com uma garrafa de vodka Orloff pela metade na mão esquerda e tocava um som muito doido que parecia uma mistura do Dee Lite com o Primus. Sem mais nem menos começa um desfile de coroas, todas mais ou menos na faixa dos quarenta e cinco, cinqüenta anos, semi-nuas, muito gostosas todas e querendo sexo comigo. Cada mulher era melhor que outra, e eu comecei a tremer de alegria, que logo após se transformou em ansiedade e não demorou muito, desandou para depressão. Meu pescoço doía muito em função de eu querer olhar o traseiro de todas, elas passavam muito rápido e eu não conseguia acompanhar, eu tentava e não conseguia, pois o desfile de belas mulheres maduras e sedentas por sexo medieval era muito veloz. Então comecei a chorar, pois entendia que se não conseguia olhar para todas, fazer sexo então seria praticamente impossível. Fiquei doidão no sonho, coisa de louco mesmo. Acordei em lágrimas, numa tristeza que me consumiu pelo resto do dia. O sonho simplesmente havia me alertado pra uma questão que ainda não tinha analisado com calma: O que há comigo que me faz não conseguir parar de pensar em mulher? Será que isso é normal? Bom pessoal, vou nessa que combinei um lance a noite com duas amigas. É Oberdã, a vida não é mole não.

"Ocama, use the force…"

Estava sozinho em casa, ouvido Comeon do Jesus And Mary Chain, tentando mover um plugue P10 estéreo que está bem na minha frente com a força da mente e balançando as mãos. Ele não está se movendo, isso quer dizer que as chances de eu ser um Cavaleiro Jedi pronto para qualquer quebra pau não são boas. Puta que pariu Oberdã, você é um nada, seus conhecimentos da força não são suficientes sequer para mover um plugue P10 estéreo. Eu tinha plena convicção de que era um Jedi, Ocama seria meu nome, Ocama Abe, mas sabe como é, ninguém me leva a sério, isso pode estar influenciando negativamente nos meus poderes da força. Meus corôas chegaram, eles me olharam por alguns instantes. Meus pais são completamente diferentes sabe? Não entendo como podem estar a 33 anos e 5 meses casados. Eles entraram em casa e me viram exercitando os poderes da força. Meu pai de novo riu num misto impressionante de arrogância, nervosismo e histeria enquanto a minha mãe desatou a chorar, chorar copiosamente. Acho que meus pais precisam de tratamento psicológico, mas da última vez que comentei de leve esse assunto eles me puseram a dormir com o Boca 3, o meu cachorro, na casinha dele. Meu cachorro fede muito, quase dei um banho nele ano passado, de tanto que ele fedia. Como não agüento as crises dos velhos, resolvi dar um rolê, estou com uma sensação de vazio interior sabe? Pode ser fome, mesmo um Jedi precisa se alimentar. Pus meu manto, sabre de luz na cintura e vou comprar algo para mastigar. Umm, estou com vontade de comer mortadela hoje, faz tempo que não como mortadela. Fui até a mercearia com meus últimos trocados matar essa vontade. Parei de trabalhar fazem quatro anos para atender os desígnios da força e aprendê-los adequadamente. A mercearia perto de casa é bem legal, ampla, cheia de gente animada batendo papo, quase do tamanho de um trailer. Entrei nela e fui direto na geladeira dos frios. Tinha uma porção de variedades de embutidos lá, inclusive variações da minha querida e amada mortadela, mortadela com pepino, mortadela recheada com queijo, mortadela com peru, mortadela com gordura de ganso e é claro, a minha preferida: mortadela com mortadela. Já ia abrindo o eletrodoméstico em questão quando ouço a voz do mestre em minha mente: ”Ocama, use the force”. Foi como um chamado, um Jedi de verdade deve estar sempre preparado ou ao menos exercitando seu poder. Imediata e lentamente levantei meu braço direito olhando para a geladeira, destinando todo meu poder supremo em direção ao meu alvo, porém sem fazê-lo se mover. Alguns vizinhos começaram a tentar de desconcentrar com risadinhas bem ridículas, mas é mais uma prova para meu poder interior. Não consegui me conter, estava concentrado demais, de minha testa escorria o suor proveniente do esforço hercúleo que eu estava fazendo e dei um grito: “Mova-se, mortadela!Mova-se em minha direção!” O esforço foi um pouco além da conta e confesso que me caguei de leve. Luke também teve dificuldades, não sei se ele se cagou também ao tentar levantar o X-Wing durante o treinamento com o Mestre Yoda, se isso aconteceu, o cheiro do pântano deve ter amenizado um pouco a situação. A merda da mortadela não se mexeu, eu estou com fome, mesmo um Jedi tem que comer, puta que pariu que vergonha do cheiro de merda. Peguei a mortadela e entrei na fila para pagar a encrenca. O dono da mercearia é amigo do meu velho e adquiriu esses hábitos ruins dele com a convivência, como, por exemplo, rir de mim. A merda era grande e perdi o controle: puxei meu sabre de luz para assustar ele e a bosta não ligou, fiquei virando de um lado para o outro fazendo barulho com a boca: “Uómmm, Uómmm” e o único efeito era que agora o dono dessa porra de mercearia rolava de rir no chão do estabelecimento. Me acalmei, paguei, e fui caminhando curtinho para a casa, senão a merda escorria perna abaixo. Pensei comigo mesmo: “Vou treinar force submission quando chegar em casa. A tarde toda”.

Mars Attacks!!

Meu nome é Oberdã Camargo. Sou oficial do departamento de polícia de minha cidade, um lugar imundo, pulguento, insalubre e repleto de marginais dispostos a tudo para aumentar a criminalidade, inclusive pagar o fundo de garantia. Sou um policial moderno, ágil, antenado com o mundo e um pouco nervoso. Uma pequena fatia da população reclama de meu estilo de manter a lei, mais exatamente todas que sabem ler e escrever e também alguns fdps analfabetos vagabundos. Essa gentalha inútil acha que se deve manter a lei distribuindo folhetinhos e convites para missa, elas que se fodam. Recebi um chamado via rádio para atender uma ocorrência perto do rio River, que na realidade deixou de ser rio faz umas duas décadas e agora é praticamente um esgoto a céu aberto, uma aberração podre da natureza. O chamado era para atender um acidente de trânsito, um carro bateu numa carroça bem no meio de um cruzamento distante 50 metros das margens do rio. A confusão era tão grande que deixei a minha viatura perto da margem, e me dirigi à pé mesmo até o centro da baderna. Um homem gordo, alto e bem vestido ao lado de uma Mercedes-Benz preta discutia com um maltrapilho que segurava as rédeas de um cavalo, este preso à uma velha carroça que tinha um adesivo “a inveja é uma merda”. Baderna generalizada, tentei me apresentar uma vez, mas ninguém deu a menor bola e confesso que isso me encheu de ódio. A segunda tentativa de me anunciar também não surtiu muito efeito e eu já estava de saco cheio de estar incluído nessa situação de merda. Sem pestanejar e com reflexos dignos de policiais de cinema, puxei minha Magnum 44, dei um tiro para cima e logo após, apliquei uma dúzia de coronhadas naquele gordo fdp, outra dúzia no carroceiro e para garantir, mais umas dez no cavalo, aquele bicho sem-vergonha. Tinha esquecido que tiros para cima sempre me deram azar e então caiu um urubu imundo em cima de mim. Todos esses escrotos estavam desmaiados (inclusive o cavalo) só para não conversar comigo, essas bichinhas. E as demais pessoas presentes, essas ingratas, começaram a me vaiar. Dei uns chutes pra ver se os suspeitos acordavam, merda, cravei de novo alguns dentes nos meus sapatos, todos os meus sapatos estão com os bicos furados, todos os meus sapatos enchem de água quando chove. Bem, enquanto espero todos acordarem para autuar e prender esses safados de merda, chegam duas ambulâncias, uma emissora de TV, uma viatura com o meu chefe e um vendedor do baú da felicidade. Apliquei no vendedor algumas técnicas do livro “como gerar lesões internas sem deixar marcas aparentes” e ele colocou sebo nas canelas, esse merda. Chamaram de volta às pressas uma das ambulâncias, pois levaram o cavalo morto por engano. Meu chefe deve ter ido dormir com a bundinha destapada, chegou logo me ofendendo, “Porra Oberdã, seu débil mental de bosta, isso aqui era uma batida de trãnsito, era só checar o que tinha acontecido, agora temos um cavalo morto e o vice-prefeito com lesão cerebral, seu retardado de merda!” Eu sinceramente não estando o meu chefe, no fundo talvez não passe de mais uma bichona preocupada com essa aberração de estatuto dos diretos humanos e alguma promoção. Meu chefe é uma aberração preocupada com o cavalo morto do vice-prefeito. Meu chefe é um cavalo! Depois de despejar em mim todo o ódio incontido em seu coração, ele me mandou para o distrito fazer uns relatórios que estou devendo faz só seis meses. Voltei para buscar minha viatura, estava chegando nela quando vi algo horrível e assustador, saindo de dentro do rio River duas estranhas criaturas verdes com capacetes e movimentos lerdos. Da cabeça delas saiam membros articulados. Eram marcianos e vinham em minha direção, me abduziriam e dali para a conquista da cidade, do estado e do planeta seria uma verdadeira barbada, uma chacina interplanetária completa. Saquei minha Magnum 44 novamente e passei a bala neles, esses marcianos gays de merda, meu chefe devia gostar deles, pois eram aberrações também. Além de passar chumbo nesses merdas fdps, busquei dentro da minha viatura meu inseparável acessório, meu taco de beisebol que tem escrito em seu corpo o sugestivo nome de “Exorcista”. Confesso que minha profissão às vezes me dá um certo prazer, eu gosto do que faço mesmo, comecei a espancar esses aliens veadinhos de merda até perder minha consciência, então de repente uma multidão vem em minha direção e eu já espero os cumprimentos, agradecimentos, congratulações e até antevejo a medalha ganha do presidente por ter impedido a invasão desses escrotos fdps de merda. Eles tiraram o taco da minha mão e começaram a me bater, meu Deus, devem todos estar abduzidos e dominados ou então emaconhados!! Dei alguns tiros para cima, logo vem aquela aberração correndo, o meu chefe. O cara não está em um dia bom e vem descontando em mim: “Meu Deus Oberdã, seu infeliz desgraçado imbecil de merda, você quase matou os dois mergulhadores do departamento de lixo da cidade!! Não basta o serviço de merda que eles tem?? Seu bosta inútil, você ainda vai exterminar a metade da cidade!! Some da minha frente seu animal!!” Bom pessoal, esse mundinho que vivemos é muito ingrato, é um mundinho difícil de se viver, cheio de gente egoísta, perigosa e que não conseguiremos nunca entender. Ainda bem que não perco a manha e sempre estou à disposição da lei.

Meu nome é Oberdã Camargo!

Meu nome é Oberdã Camargo. Sou oficial do departamento de polícia da minha cidade, um lugar traiçoeiro, perigoso, imundo e cheio de marginais dispostos a tudo para elevar a onda de criminalidade, inclusive trabalharem. Sou um policial experiente, moderno, ágil, com um faro aguçado para encrencas, extremamente conclusivo e um pouco impaciente. Algumas pessoas se queixam do meu estilo de manter a lei, eles me chamam de violento. Essas bichinhas dos direitos humanos acham que vou tratar com o bandido oferecendo morangos e um beijo paternal, chongas para elas. Eu cheguei cedo em casa hoje, dia tranqüilo não fossem as explicações no departamento de como consegui separar a cabeça daquele marginal fdp de seu corpo com um garfo. A necessidade é a mãe da invenção e foi o que consegui para evitar o assalto na hora do meu almoço, pqp não se pode mais almoçar em paz. Meu chefe foi comigo, e apesar de ele tentar me defender dizendo que seria muito pior se eu tivesse evidências de que o suspeito cometeria o crime, mesmo assim percebi que ele estava puto comigo. Não entendo meu chefe, e sinceramente, acho que entendê-lo é tarefa para um psicólogo homossexual fdp. Bom, hora de relaxar, cheguei com apetite redobrado em casa, mas na geladeira só tinha água mineral e um pote com pasta de amendoim, que além de estar vencida a fábrica dela faliu a cinco anos. Pedi comida por telefone. Estou remoendo as reclamações sem sentido do meu chefe enquanto olho de novo as contas que tenho que pagar esse mês. Telefone, água, gás (?), luz, TV a cabo… Preciso baixar essas contas fdps, quase não uso nada, água e luz só para tomar banho, banho vou tomar gelado daqui em diante, pois água quente é coisa para bichinhas sensíveis. A TV não me dá a facilidade de assinar somente o canal pornô, pqp, merda de empresa vou cancelar essa assinatura fdp. Continuo ruminando mais uma meia hora as palavras exageradas do meu chefe, o Tenente Taborda, francamente ele exagerou hoje, me chamar de débil mental…Ouço uma batida sorrateira em minha porta, saquei minha Magnum 44, espreitei o olho mágico e vi aquele bandido sem vergonha com um volume embaixo do braço, hoje em dia a marginália está petulante demais. Meu instinto de acabar com o crime despertou com força máxima e esse desgraçado não vai mais viver aterrorizando a população, custe o que custar. De arma em punho destravei a porta e esperei a sede pelo crime fazê-lo entrar em meu apartamento. Cinco minutos se passaram, cinco longos minutos em que à medida que moviam os ponteiros do meu relógio, eles só alimentavam meu ódio por esse tipo de animais escrotos. Mas a ânsia pelo incorreto era forte no desgraçado e ele pôs a cabeça para dentro da porta. Meu treinamento intensivo de defesa pessoal e intimidação de javalis estava em ponto de bala e dei um golpe puxando ele inteiro para dentro segurando uma de suas narinas. Não tive misericórdia e pratiquei tudo que aprendi no livro “A arte da coronhada por Dirty Harry”, ele logo desabou, gritando coisas sem sentido como “a pizza não chegou friaaaaaa…”. Pqp, enquanto chutava a boca do cretino desacordado vi que ele estava disfarçado de entregador da Helmut’s, devia haver uma arma naquela caixa circular. Uma vez ele desmaiado e os vizinhos se agrupando curiosos na porta da minha casa em função do sangue que escorria porta afora, abri a caixa para apanhar a escopeta que estava com certeza escondida ali. Achei algo errado quando abri a caixa, ali tinham alguns sabores familiares em cima de um disco de massa, e não eram chumbo grosso. Que merda, é o terceiro entregador esse mês que deixo com seqüelas. Mas querem saber? É isso aí mesmo, não dou mole para ninguém. Essa cidade está cheia de gente que vive de más intenções, está repleta de sentimentos ruins e violência. Ela precisa de pessoas como eu.