Uma fábula moderna III

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Era uma vez, um homem comum. Ele não possuía o menor diferencial em relação às outras pessoas. Conhecia, quando muito, a diferença entre feijões pretos e marrons (a cor).

Ele leu alguns livros do Patrick Geryl e concluiu que o mundo iria acabar mesmo em 2012, tal e qual o autor do livro alegava, quando a Terra passaria a girar ao contrário e os pólos magnéticos do planeta se inverteriam. Pensou consigo mesmo: ”Se o mundo vai acabar, o melhor é aproveitar ao máximo tudo que resta de minha vida e da humanidade”. Então ele fez empréstimos milionários, comprou carrões, destruiu o organismo com orgias, bebidas, drogas, zombou da polícia e ficou devendo para um  monte de traficantes.

Chegou então o dia do fim do mundo e Patrick Geryl descobre que um erro de cálculo, uma vírgula que ele colocou umas casas à esquerda a mais, deturpou o resultado de sua complexa equação, e na realidade o mundo vai acabar  mesmo é no ano de 201200, isto é, se os Norte-Americanos não adiantarem a sua agenda.

Hoje temos a notícia de que os traficantes praticaram sexo anal com esse homem até ele mudar de sexo.

GRE -NAL – Clássico é clássico e vice-versa

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(“This is the last time”, caraca de mulher que não sai da minha cabeça) – Eu tenho a mania de dizer que a estupidez humana não é para principiantes. Não devia banalizar as coisas, eu acho errado condenar preconceituosamente a maioria por coisas protagonizadas por um ou outro babaca. Mas às vezes a impressão que eu tenho é que realmente o mundo vai ser dominado pelos idiotas.

Abandonei o futebol faz uns anos, uns dois acho. Desisti depois de constatar que os dirigentes do clube para o qual eu torcia comandavam o clube mais por vaidade e para marcar território. Era e ainda é, uma questão de glamour, de holofotes e afirmação social. Se der tempo eles pensam no time. Some-se isso ao fato de que o futebol no meu caso, só me causou despesas. Pensei: Por quê não gastar dinheiro em outras coisas mais prazerosas e significativas? Por algo que acrescente de fato algum valor? Tratei de ir me ocupar de outros assuntos. Mas parece que enquanto alguns olham de uma maneira mais pacata para essa questão do futebol, outros querem brigar, bater e morrer por isto.

Dia quatro de março eu tinha aula, esse semestre por umas questões delicadas não tenho aulas todos os dias, mas as quartas feiras são dias de aula na faculdade. Nessa em questão tinha jogo do Internacional (eu torcia para o Grêmio) em um dos campeonatos nacionais. Estava eu em aula e perto do intervalo um colega torcedor do Internacional me questionou se eu sabia como estava o placar. Respondi que não, mas percebi um ar de ansiedade nele, fiquei com pena do cara, e já que tinha me feito uns dois ou três bons favores semestre passado, optei por tentar ajudá-lo. Pensei: “Vou ligar para o setor de Operação lá do serviço”. Na operação são monitorados todos os sistemas da minha empresa, vinte e quatro horas por dia. O pessoal tem acesso direto a Internet, então se não houver quem esteja acompanhando a partida, pode pesquisar rapidamente e ter o resultado. Fiz a ligação e ela caiu em um colega de serviço que vou aqui chamar de “fundamentalista”. Disse boa noite, me identifiquei e perguntei se tudo estava bem. Logo perguntei também se ele poderia me responder o placar. Esse cara é conhecido na minha empresa por ter verdadeira obsessão pelo Internacional. Ele comentou “tu está ligando para me aborrecer e atucanar”. Respondi que estava tentando prestar uma gentileza a um colega de aula e que ele não precisava se aborrecer era só responder que eu desligaria. O cara se recusou e foi um bocado ríspido. Bom, eu comentei algo que não lembro e desliguei. Disse para meu colega de aula que não tinha conseguido.

Um dia depois, na quinta feira, estou eu online por volta das 23:30 quando esse meu colega de serviço me contata pelo Messenger com algo nesse teor: “Sem vergonha secador, agora eu te digo quanto foi o jogo, meu time ganhou, não adiantou tu me incomodar”. Eu comentei, “Fundamentalista, hoje não precisa mais, precisava saber ontem, era para o meu colega de aula”. Fundamentalista continuou: “Quer que eu acredite?” Eu ainda tentei argumentar que era inacreditável uma pessoa colocar um relacionamento cordial por água abaixo em função de uma coisa tão sem valor quanto discussão por futebol. Fundamentalista ainda argumentou: “Não interessa, paciência. Meu time é mais importante”. E ele estava brabo, isso em si não me preocupou. Tentei entender o cara, mas simplesmente bloqueei o Messenger dele e depois deletei.

Nunca mais quero contato.

Esse tipo de ser humano é o responsável por brigas em estádios. Em algumas vezes tragédias. Será que futebol vale tanto amor assim? Ou será que é um misto de amor com paixão imbecilizante? Meu colega de serviço foi imbecilizado pelo futebol, quer dizer, se deixou imbecilizar. Sorte que eu só preciso de contato profissional com ele.