Desistência

Neblina no Vale da Morte

Ando meio desesperançoso. Sei pouco do que me conduz a esse sentimento, ou nem sei, são suposições. Mas, fato posto, ando meio desesperançoso.

Faço cada vez mais reflexões acerca de mim mesmo, o que sou, em que estou me transformando, ou o que há no fim do caminho para o qual me direciono. Nesse caminho, uma coisa é certa: cansei de tentar entender o ser humano, em sua grande maioria esse indivíduo não merece mais tentativas de explicação.

Será que é isso? Abandonar cada vez mais pessoas ao meu redor? Mergulhar definitivamente no meu mundo particular, cheio de tipos saídos de filmes do Burton, ou do Leone, ou então do Terry Gillian? Ou então saídos de livros do Júlio Verne, do Alexandre Dumas, do Woody Allen?

Também ando em um momento em que não quero perder tempo com coisas pequenas, quero saber mais, quero saber onde tem mais, aqui é muito pouco. Culpa do Sagan, da semente de curiosidade que ele me colocou na mente.

Por outro lado, pareço ter voltado definitivamente ao convívio dos pouquíssimos amigos de uma vida inteira, aqueles com os quais aprendi a falar, escrever, aqueles que foram parte da minha própria construção. Levei quase trinta anos para me sentir à vontade, sou assim mesmo, lento. São esses os amigos verdadeiros, aqueles que respeitam a minha opinião de verdade, mesmo que seja antagônica à deles. Voltei à amizade pura, sem cobranças, segundas intenções, sem a eleição de sacos de pancada psicológicos. Eles não me fazem sentir melhor ou pior, e sim igual a eles.

Essa mistura de percepções e sentimentos me leva a lugares inóspitos de minha própria imaginação.

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3 comentários sobre “Desistência

  1. Cara, tem horas em que a vida parece um pesadelo! A rotina te traga de tal forma que parece que você não existe e tudo o que você quer é acordar e ser dono de suas decisões novamente. Mas os compromissos que assumimos, as próprias escolhas que fizemos e a necessidade de sobrevivência (nossa e dos que nos cercam) nos impede de jogar tudo para o alto.

  2. Estive com conflitos desesperançosos há bem pouco tempo…
    Coisa de não ser suficiente, como você mencionou, este “pouco” incomoda. Nos limita!
    A maldita rotina nos afunda no piloto automático e por vezes é tão fácil, cômodo, mas não existe mais emoção em fazer…são dias repetidos!
    Escolhemos uma profissão e nos trancamos dentro dela e jogamos a chave fora…nos tornamos altamente especialistas em um único ofício e este é o fim da linha!?

    O que faremos com este maldito-tédio-que-nos-assola?

    A propósito, não desista, há de ter uma luz no fim do túnel…ainda que seja a efêmera chama de um fósforo! (rsrsrs).

    No mais é isso!
    p.s. Interessante seu blog!
    p.s.2 Vi seu post no blog do Gangorra!
    Sem mais delongas!
    Inté!

  3. Se um homem não é capaz de questionar a si mesmo e a todo o seu grande ou pequeno ideário, afinal, certamente que não tem consciência de sua própria existência, senão, claro, por seus sentidos mais baixos (coisa que não observa pela mente, mas sim pela pele). Enfim, … se te sentes sozinho amigo, ou pretendes encontrar a parte de ti que se assemelha aos “outros” (que te sejam queridos de qualquer modo), vais mesmo te esborrachar no único lugar possivel: a frustração (alguns deles chamam a isto de “a frustração nossa de cada dia”, mas claro que a sua, em ocorrendo, será mais terrível)! Se desejas econtrar uma forma de libertação plena, porquanto a liberdade (tal como eu a concebo) não conheça parcialidade e, para isto tens ainda de conceber tal possibilidade, doutro modo nao se fará possivel para ti, … deves criar algo maior que voce proprio (e talvez jah o tenhas iniciado sem saber, digo, tal trabalho). Isto eh possivel pela via do amor, amor fati. Mas desejo ainda, sopitar numa parabola: imagine que num certo livro, tido como o mais alto ideal de uma fragil e alquebrada imaginacao, lá se diz que “o filho nao pode ser maior que o pai”… contam mais de 2.000 anos que esta erva daninha do absurdo perpetrou uma infâmia que nao conhece limites: a de se ser cristão! Mas, à guisa de um certo maniqueísmo (a que alguns hodiernos diletantes da filosofia socrática chamam de “dual equilibrio entre o bem e o mal”), pensemos que se esta coisa já vai tao longe, esta provado, pela mesma via (a do absurdo), que o seu contrario eh perfeitamente possivel, senao ate mesmo natural: ser feliz!

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