DR, a inevitável DR

elkabong

Como se não bastasse todos os problemas que estou passando na empresa, causados, principalmente por sete anos sem férias e estado de alerta vinte e quatro horas por dia somados à uma obra da nossa nova casa que já ultrapassou a esratosfera do coerente, minha esposa decidiu me deixar um MSN perturbador hoje. Liguei o micro chegando aqui e pulou a janelinha aqui. Algo como “te amo mesmo que tenha que ficar longe de você”. Não vou ficar longe, tenho dois filhos com ela. Me surpreende um pouco a afirmação de que com ela não tenha nada errado. Ela tem crises de gritos e desequilíbrio com as crianças, e faz muito tempo que a vejo infeliz. É como se ela amasse profundamente os filhos, mas não suportasse a lida com eles. Não posso nem tampouco vou culpá-la por isso, não tenho esse direito. Mas é fato que as tarefas de casa deixam ela cada vez mais deprimida. Ofereci uma empregada doméstica, que no momento acho que não poderei pagar, mas estou trabalhando em uma segunda possibilidade de ganhos para arcar com essa despesa. Mas esse talvez seja o problema. Creio que durante toda a vida dela sempre alguém deu as coisas em sua mão. Não tenho vida social faz horas, sempre preocupado com a patroa, e em como vou resolver os problemas dela. Acho que cansei de conviver assim, e cheguei à conclusão de que as coisas serão assim sempre, sempre haverá uma aflição após a outra e a resolução passará por mim. Já recebi ligações durante o expediente para dizer que a Matusquela e o Bisnaguinha estão colocando “fogo” na casa. No orçamento do mês tem dinheiro só para lazer, pago mensalmente. Não sei mais o que fazer. Um tempo atrás ouvi que se não decidisse antes de sair de casa pela manhã o que queria jantar, nada teria. Minha esposa tem zero virgula zero de chance de dar certo como dona-de-casa, e aliás dona-de-casa é uma coisa deprimente. Viver para agradar o maridinho… dane-se. Tem que procurar algo pra preencher o tempo. Ela devia estudar, já ofereci para ela isso, agora pelos próximos dois anos não tem como, mas por quanto tempo ofereci. Ela desistiu da faculdade faltando três cadeiras para se formar, e a conta disso a minha sogra cobra todas a vezes que cruza o olhar comigo. Não sei o que meus sogros fizeram com ela, faltou suporte, faltou educação no sentido de prepará-la para o mundo. O saldo foi que eu casei com uma pessoa que não suporta crítica e que se ofende com qualquer observação. Não poucas vezes ela levanta a voz comigo (coisa que já fiz também e me arrependo muito por isso) para ou me jogar na cara que as coisas para ela não estão sedo fáceis, ou para dar a entender “okay você ganhou, mesmo não concordando com o que você está dizendo, vou fazer força para melhorar”. O pior é que traços disso estão sendo transmitidos para as crianças. Eu gosto dela, mas adianta só gostar? O que é para ser uma vida a dois feliz vai se tornar um caminho tortuoso só por pena ou orgulho? Eu quero vê-la feliz também, mas de repente o problema sou eu mesmo, simplesmente não tenho o skill para conviver com ela.

Que saco de vida.

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