Eu quero dormir de verdade.

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Meu pouco sono de verdade nos últimos dias tem sido povoado por sonhos recorrentes. Ela tem aparecido do nada seja lá o estado de suspensão maluca de sentidos que eu esteja enfrentando na hora. Mas é sempre com o mesmo objetivo, “veja só, pelo menos aqui a gente pode tentar dar certo”. É uma coisa que me perturba muito logo nos primeiros minutos que estou acordado, me perturba relativamente durante o banho e até a metade do caminho que me traz aqui no serviço.

Eu deveria me conhecer melhor depois de tantos anos, mas não. Não sei o motivo dos sonhos. Em alguns deles algumas ex-namoradas aparecem, nenhum significado pra elas além de fazerem o papel de vasos de flores (novelas sempre têm vasos de flores, estou escrevendo uma tese de como escrever novelas, aliás, a tese é de que não existem autores de verdade, trata-se de uma máquina, isso vai ser postado em breve). Até aí tudo bem, as ex-namoradas tiveram algo mais a ver comigo, mas ela não. Ela sempre foi inalcançável, sempre esteve um pouco mais adiante do que eu podia, ou do que eu queria. Mania de querer o ideal, muita gente desiste do ideal após a adolescência menos eu, eu ainda quero o ideal. O maldito, o idiota, o cretino…ideal. Chega! Eu devia acordar de verdade, dos sonhos impossíveis em curtos períodos de sono, da vontade de gritar o que eu não posso, de dizer a todos o que devem e eu acho que precisam ouvir. Eu devia me contentar com o mundo real cheio de coisas intoleráveis. Eu devia me conformar com o fato do carinha passar com o sinal vermelho e se for multado recorrer da multa mesmo sabendo que está errado.

Eu devia me conformar com o tempo que não vai voltar atrás. Eu sou estranho: Vivo dizendo pra mim mesmo como deve ser ruim não ter de volta o grande período da vida, que quem pensa assim deve ser triste para caramba, que deve ser realmente alucinante no sentido de “que bosta, e agora?”. É meio como aquela velha que diz no vídeo uma piada mais velha que ela: “Esse negócio de vício não existe, fumo maconha há trinta anos e não sou viciada”.

Isso mesmo: Do alto de trinta e poucos anos eu inconscientemente já cobro o tempo que não volta atrás. O que vai ser mais adiante? O tempo começa a passar rápido. É bom eu ver bem como vou lidar com a vida.

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2 comentários sobre “Eu quero dormir de verdade.

  1. Mermão, você tá muito infeliz. Nem sei o que faria no seu lugar, acho que não dei certo com nenhuma namorada por medo de ficar sério demais e eu ter que dar satisfações pelo resto da minha vida. Chutar tudo para o alto você não pode, não é mesmo? De repente mudar de nome, virar um número nas estatísticas e nunca mais ser encontrado? Só não deixa de visitar meu blogue.

  2. Mais lúcido do que se deve estar, num mundo de “ideais”, você me parece perfeitamente saudavel e devidamente dolente e/ou perturbado (com os fatos da vida, donde surge o maior deles: que a vida acaba, conquanto seja ainda, a mesma razao pela qual ela se nos torna tao importante (mesmo o mais morbido dos seres nao sente-se bem com a ideia de sua propria extincao, motivo talvez porque deixam (à sua volta) legados mais morbidos ainda), … enfim, posso divagar tanto quanto ou mais que voce, porem nao o farei, senao pela via que me impele a crer que voce eh mais saudavel que esse estupido e arrasador mutirao de gado, chamado gente normal…. afinal, gado nao pensa: soh se prepara para o abate)!

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