Domingo

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Pois é. Eu disse que passaria pelo blog ontem, aliás, eu não disse bem isso, eu disse que estaria aqui no serviço e se desse, escreveria alguma coisa. Não deu. Combinei com o pessoal que participaria da última etapa da obra de integração dos grupos geradores as 09h30min. Ninguém é de ferro, liguei as 09:30 para o supervisor de manutenção, questionei se tudo estava bem e como a resposta foi sim, avisei que me atrasaria alguns minutos. Cheguei 20 minutos após o combinado, as 09h50min, já sendo abordado na entrada do prédio com a informação de que houvera problemas com o ar condicionado do data center. Muitas máquinas fritando, mas a situação normalizando aos pouco… Do ponto de vista de Infra-estrutura. Do ponto de vista de redes e também de sistemas era só o começo da encrenca. Alguns equipamentos de travaram em função do aumento absurdo de temperatura e tiveram de ser reiniciados. Alguns não voltaram, um concentrador de rede pirou e muitas horas depois veio a descoberta de que um de seus slots tinha partido dessa para uma melhor. E pensar que tudo isso foi iniciado por um pequeno acidente, onde um sinal remoto a partir do CLP de um dos geradores suprimiu a presença de energia na bobina de mínima do disjuntor geral de cargas criticas e então o fez abrir. Como nenhum sistema de ar que se preze volta a se ligar sozinho por fatores de segurança, a temperatura começou a subir até alarmar na monitoração todos os equipamentos. Uma pequena imperícia por parte do funcionário da fornecedora que está realizando a obra, um simples contato fechado na hora errada causou problema no stream de TV para vários países da América Latina, causou telefonemas, muitas pessoas vindo ao centro de operações no fim de semana, telefonemas nada brandos entre diretorias, gerências e afins e eu, sempre eu, metido no meio disso tudo. Meus 30 e poucos quilos acima do peso agradecem a esse stress constante. Aliás, meu coração, pulmões e cérebro, que passam de médico em médico em uma caravana que vai durar todo esse ano, também agradecem. Chega o momento em que eu me pergunto se tudo isso vale a pena e até onde realmente irá me levar. Não se trata mais de estar fazendo o que se gosta, pois ninguém no mundo deve gostar de estar 24 horas por dia em estado de alerta e mesmo a noite, estar semi-acordado. Perco eventos com a família, perco saídas com os amigos, perco finais de semana inesquecíveis que nunca vou saber como seriam. Me pergunto: Quem mais, aqui além de mim, sofre com isso? Será que só eu me preocupo desse jeito? Claro que não, mas onde está o segredo que faz das outras pessoas seres normais, que tem lazer e tudo mais? O segredo sou eu. Só pode, ter alguém que vive para manter a empresa e seus data centers no ar, que extingue os neurônios a procura de sistemas que permitam ganho de performance sem custos, de métodos de trabalho que permitam simples eletrotécnicos se portarem como engenheiros. Quando algo não acontece dentro desse contexto, sempre algo tem a ver comigo.    

Esse é o segredo, alguém se ferrando para a maioria estar tranqüila e serena.Eu me pergunto até quando tudo isso vai. Sim, em uma empresa com presença tão forte em tantos países como a que eu trabalho nada é para sempre. Uma hora é mais atraente fechar a operação Brasil e aí um monte de gente vai pra rua aqui e empregos se criam em outros lugares. As seqüelas deixadas não são nem varridas para debaixo do tapete, para não dar trabalho.Todos meus sonhos, meus textos e histórias, todos meus aviões, invenções, jogos, filmes, paixão por música, convívio com quem amo, tudo isso vai se perdendo em nome do conforto financeiro e de uma relativa garantia de futuro para meus pequeninos.

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2 comentários sobre “Domingo

  1. Ae, meu.

    Apesar de ficar 7 meses abaixo da neve, faz 3 meses que estou trabalhando aqui e ainda não fiz nenhuma hora fora do horário comercial, a primeira no fim de semana vai ser domingo dia 8 de julho durante o dia para uma manutenção tranquilinha. Saio do trabalho às 5 da tarde todos os dias. Ganho em dólar. Não tenho nenhuma preocupação com segurança. Não me arrependo de forma nenhuma!

    Cara, não dá pra dizer que não foi fácil, mas também não é impossível. O mais importante é falar inglês, falando inglês o resto vem. Se tu estiver louco o suficiente aí pra pensar em te mandar, me avisa que eu te dou umas dicas!

    Abraços,
    Branden

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