Mars Attacks!!

Meu nome é Oberdã Camargo. Sou oficial do departamento de polícia de minha cidade, um lugar imundo, pulguento, insalubre e repleto de marginais dispostos a tudo para aumentar a criminalidade, inclusive pagar o fundo de garantia. Sou um policial moderno, ágil, antenado com o mundo e um pouco nervoso. Uma pequena fatia da população reclama de meu estilo de manter a lei, mais exatamente todas que sabem ler e escrever e também alguns fdps analfabetos vagabundos. Essa gentalha inútil acha que se deve manter a lei distribuindo folhetinhos e convites para missa, elas que se fodam. Recebi um chamado via rádio para atender uma ocorrência perto do rio River, que na realidade deixou de ser rio faz umas duas décadas e agora é praticamente um esgoto a céu aberto, uma aberração podre da natureza. O chamado era para atender um acidente de trânsito, um carro bateu numa carroça bem no meio de um cruzamento distante 50 metros das margens do rio. A confusão era tão grande que deixei a minha viatura perto da margem, e me dirigi à pé mesmo até o centro da baderna. Um homem gordo, alto e bem vestido ao lado de uma Mercedes-Benz preta discutia com um maltrapilho que segurava as rédeas de um cavalo, este preso à uma velha carroça que tinha um adesivo “a inveja é uma merda”. Baderna generalizada, tentei me apresentar uma vez, mas ninguém deu a menor bola e confesso que isso me encheu de ódio. A segunda tentativa de me anunciar também não surtiu muito efeito e eu já estava de saco cheio de estar incluído nessa situação de merda. Sem pestanejar e com reflexos dignos de policiais de cinema, puxei minha Magnum 44, dei um tiro para cima e logo após, apliquei uma dúzia de coronhadas naquele gordo fdp, outra dúzia no carroceiro e para garantir, mais umas dez no cavalo, aquele bicho sem-vergonha. Tinha esquecido que tiros para cima sempre me deram azar e então caiu um urubu imundo em cima de mim. Todos esses escrotos estavam desmaiados (inclusive o cavalo) só para não conversar comigo, essas bichinhas. E as demais pessoas presentes, essas ingratas, começaram a me vaiar. Dei uns chutes pra ver se os suspeitos acordavam, merda, cravei de novo alguns dentes nos meus sapatos, todos os meus sapatos estão com os bicos furados, todos os meus sapatos enchem de água quando chove. Bem, enquanto espero todos acordarem para autuar e prender esses safados de merda, chegam duas ambulâncias, uma emissora de TV, uma viatura com o meu chefe e um vendedor do baú da felicidade. Apliquei no vendedor algumas técnicas do livro “como gerar lesões internas sem deixar marcas aparentes” e ele colocou sebo nas canelas, esse merda. Chamaram de volta às pressas uma das ambulâncias, pois levaram o cavalo morto por engano. Meu chefe deve ter ido dormir com a bundinha destapada, chegou logo me ofendendo, “Porra Oberdã, seu débil mental de bosta, isso aqui era uma batida de trãnsito, era só checar o que tinha acontecido, agora temos um cavalo morto e o vice-prefeito com lesão cerebral, seu retardado de merda!” Eu sinceramente não estando o meu chefe, no fundo talvez não passe de mais uma bichona preocupada com essa aberração de estatuto dos diretos humanos e alguma promoção. Meu chefe é uma aberração preocupada com o cavalo morto do vice-prefeito. Meu chefe é um cavalo! Depois de despejar em mim todo o ódio incontido em seu coração, ele me mandou para o distrito fazer uns relatórios que estou devendo faz só seis meses. Voltei para buscar minha viatura, estava chegando nela quando vi algo horrível e assustador, saindo de dentro do rio River duas estranhas criaturas verdes com capacetes e movimentos lerdos. Da cabeça delas saiam membros articulados. Eram marcianos e vinham em minha direção, me abduziriam e dali para a conquista da cidade, do estado e do planeta seria uma verdadeira barbada, uma chacina interplanetária completa. Saquei minha Magnum 44 novamente e passei a bala neles, esses marcianos gays de merda, meu chefe devia gostar deles, pois eram aberrações também. Além de passar chumbo nesses merdas fdps, busquei dentro da minha viatura meu inseparável acessório, meu taco de beisebol que tem escrito em seu corpo o sugestivo nome de “Exorcista”. Confesso que minha profissão às vezes me dá um certo prazer, eu gosto do que faço mesmo, comecei a espancar esses aliens veadinhos de merda até perder minha consciência, então de repente uma multidão vem em minha direção e eu já espero os cumprimentos, agradecimentos, congratulações e até antevejo a medalha ganha do presidente por ter impedido a invasão desses escrotos fdps de merda. Eles tiraram o taco da minha mão e começaram a me bater, meu Deus, devem todos estar abduzidos e dominados ou então emaconhados!! Dei alguns tiros para cima, logo vem aquela aberração correndo, o meu chefe. O cara não está em um dia bom e vem descontando em mim: “Meu Deus Oberdã, seu infeliz desgraçado imbecil de merda, você quase matou os dois mergulhadores do departamento de lixo da cidade!! Não basta o serviço de merda que eles tem?? Seu bosta inútil, você ainda vai exterminar a metade da cidade!! Some da minha frente seu animal!!” Bom pessoal, esse mundinho que vivemos é muito ingrato, é um mundinho difícil de se viver, cheio de gente egoísta, perigosa e que não conseguiremos nunca entender. Ainda bem que não perco a manha e sempre estou à disposição da lei.

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