O Astolfo

Um belo dia, Astolfo acordou. Colocou um pé para fora da sua cama, e logo após, o outro. Isso seria o lógico se o Astolfo não tivesse tido a nítida impressão de ter repetido essa operação mais um par de vezes. O Astolfo teve uma sensação ruim, sentiu a garganta seca e foi até a cozinha atrás de um copo de água, afinal, que casa é essa se não tiver uma bosta de um copo de água para molhar a goela de alguém em um momento delicado? Qual não foi a sua surpresa quando percebeu que não conseguia abrir a geladeira! Astolfo não sentia dor ou o que o valha, mas sim um misto de sentimento de curiosidade, ansiedade e desespero. Correu para o banheiro, onde havia um espelho grande, aqueles espelhos que são presos à parte de trás da porta do banheiro. Ele olhou e não acreditou: Havia se tornado um dromedário, da noite para o dia, acredite quem quiser. Ele disse para si mesmo: “Pô Astolfo, você se ferrou bonito mesmo hein? E agora? Você está atrasado para o serviço sua mula, quer dizer, seu dromedário!!” Isso mesmo, ainda tinha mais essa: Era o primeiro dia do Astolfo no emprego novo, agora como gerente no banco, depois de 10 anos de ralação diária. Uma rápida olhada nos livros da faculdade, suando frio. Não havia nada na estante com o titulo: Volte a se tornar humano em cinco minutos. Existe uma máxima que circula no mundo (idiota) corporativo(que por sinal está cheio de máximas idiotas): “Se a situação está ao seu favor, desfrute-a, se está contra você, transforme-a, se não pode ser transformada, transforme-se”. Essa lei do mundo corporativo paira pelas caixas de e-mails dos funcionários como uma maneira de fazê-los entenderem que ao invés de cada vez mais terem que tirar coelho da cartola para satisfazer os interesses da corporação, na realidade isso vale mais para que se desenvolvam profissionalmente. Se realmente fosse verdade, nunca haveria demissões, pois a corporação transformaria-se para se adequar às adversidades da economia, logo, não passa de uma dessas frases inúteis criadas pelos profissionais da auto-ajuda, que na realidade só auto-ajudam a si mesmos. Bem, vamos voltar ao pobre Astolfo, a situação era dramática: Perdera dez anos de sua vida esperando o tão sonhado momento de uma promoção que valesse a pena. Bom, ele estava decidido. Nada lhe tiraria o foco de seu objetivo. Fez o maior esforço de raciocínio e habilidade juntos de sua vida e conseguiu passar uma gravata pelo pescoço. Bebeu toda a água disponível em casa (a sede finalmente estava explicada) e com a mandíbula passou a chave na fechadura. Saiu porta afora, trancou ela com um pouco menos de dificuldade, deu algumas explicações ao síndico, incrédulo no elevador e foi à luta. Entrou todo orgulhoso na empresa ”ninguém me questione, hoje é o meu dia, eu sou o fodão”. Infelizmente nem todo mundo pensava assim. Chamaram o Zoológico, maior escarcéu, enjaularam o Astolfo e hoje ele mora do lado da jaula da Girafa.

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