Telexpo 2006 – Eu fui.



Dizem por aí nesse mundinho escroto das telecomunicações que a Telexpo piora um pouco a cada ano. Não posso dizer, pois nunca havia ido a essa mega feira de tecnologia em São Paulo. Bom, meu chefe me ligou nas mini-férias: “Vamos na próxima quinta feira 09 e voltamos sexta 10, programe-se”. Foi a única vez em que não me preocupei em fazer relatório de solicitação de viagem, um dos poucos lados bons desse evento.Fomos no vôo 1953 da Gol, sai de PoA as 07:00, um pouco mais cedo do que o habitual, o 1764, mesma companhia, que nos proporciona 24 minutos a mais de sono. Despachei minha pouca bagagem, pois não curto muito aquela briga pelo espaço acima da minha moringa. Sentadão na poltrona 22D com uma revista para me entreter durante uma hora e quinze minutos, ouço o cordial comandante informar: “Senhores passageiros o aeroporto de Curitiba, que faz o controle da rota, opera em convencional”.Isso quer dizer para leigos, que o tempo está uma bosta e a maioria da instrumentação daquela bagaça só está servindo para apoiar o copo de café e o sanduíche do operador. Sabidamente os vôos atrasam em Curitiba em função do constante mau tempo de lá. A Infraero, sempre ligada no conforto e qualidade total dos pobres passageiros deu o golpe de misericórdia ao eleger essa bosta de aeroporto para controle da rota POASÃO. Quer dizer também que ao invés dos três minutinhos de intervalo entre uma decolagem e outra, agora são dez minutos, como somos o terceiro da fila, levaremos meia hora para decolarmos. É bom eu ler essa merda de revista mais devagar. Estou tentando me concentrar nela, quando o cara da poltrona 22E – um tio escroto – começa a cantar a moça da 22F – igualmente escrota -. Se eu fosse uma mulher me sentiria um lixão por ser cantada por aquele débil mental. É, provavelmente, como ela se sentia a cada vez, e foram muitas, que ela tentava inserir o namorado na conversa de qualquer maneira. Mas ela não está isenta do meu ódio só porque sofreu com o tio retardado com visual do Flávio Briatore, ela também era uma mala. Bem, voltando ao tiozinho, ele viu que não ia render muito e começou a disparar contra a comissária, aliás, graças a ele não vou esquecer o nome da infeliz: Érica Veríssimo. A pobre sofreu com os trocadilhos óbvios, acho que se a Gol servisse café no lugar daquelas indefectíveis barrinhas de cereais idiotas, ela o teria usado para ferver as bolas daquele cretino. Mas os meus vizinhos de poltrona não estavam a fim de colaborar comigo, mesmo. A moça acho até que por estar enojada com o imbecil ao meu lado, queria ir no banheiro direto. Uma das coisas ruins de não sentar na janela é isso, ter que se levantar, não dá pra se concentrar em nada. E o tio resolveu encher meu saco também, “você se importa de solicitar o jornal ali para o rapaz do outro lado?” O Fuzilei com os olhos e pedi o jornal, senão o mal-educado seria eu, sociedade de bosta essa que eu vivo. Nos pouco mais de 5 segundos que levou entre eu pedir o jornal e o rapaz emprestar passou um filme com varias opções de espancamento utilizando o jornal e o tiozinho apanhando. Segurei a onda e passei o jornal na boa, olhando eles nos olhos como quem quer dizer: “Não me pede mais nada, seu mala”. Levei as mãos aos céus quando descemos em Guarulhos. Bom a Telexpo começa as 12 hs, se não me engano, e chegamos um pouco antes das 09:00 hs. Para não ficarmos sem o que fazer, vamos ao mini-pop da empresa que eu trabalho que fica no CENU.Conversar com os colegas de lá, botar os assuntos em dia, decidir algumas coisas do dia-a-dia, enfim, fazer render ao máximo a ida. Almoço com o pessoal na praça de alimentação, num lugar chamado IT que tem tanta variedade de comida que mesmo para um elefante que nem eu fica difícil provar tudo. Terminado o almoço nos atiramos para aquela feira, meu chefe queria que extraíssemos o máximo possível, isso mesmo, futricar em tudo para ver se algo nos traria alguma vantagem. De cara tinha que me cadastrar para entrar, a chefia disse que havia mandado um mail me informando disso, mas não vi nada na minha caixa postal. Mas estava tranqüilo, em cerca de 20 minutos fiz tudo e peguei minha credencial. A primeira impressão que tive foi de que era uma coisa gigantesca, logo fui avisado de que esse ano estava menor que nos anteriores, puxa vida, menor? Quer dizer que antes ou se olhava tudo em dois dias ou se andava motorizado lá dentro…De cara vimos um equipamento de conectorização de fibra óptica que fazia de qualquer um capaz de montar um patch cord, beleza essa feira vai ser maneira… Daí em diante foi um festival de televisores de plasma e LCD e também de aparelhos celulares, caminhei dentro daqueles pavilhões como um condenado, junte-se isso ao fato de o ar estar de alguma maneira seco lá dentro e eu estar carregando uma sacola com uns três quilos de releases e digo que a minha garganta estava mais seca que o deserto onde o Clint Eastwood teve que atravessar a pé enquanto o Eli Wallach apontava para ele uma mistura de Colt 45 com algum outro revolver que montou ao seu gosto em The Good, The Bad and The Ugly. Ao contrário do Clint, que era fodão e atravessou a porcaria do deserto quase numa boa, eu não agüentei, sentei na praça de alimentação e matei um litro de água mineral com gás (quente mesmo, tinha tanta gente comprando que não dava tempo de gelar).Depois de engolir meio litro de água de uma tacada só, foi aí que eu prestei um pouco mais de atenção: para cada celular cheio de acessórios ou cada televisor enorme, havia várias demonstradoras, bem mais interessantes que os produtos.E tinha muitas mulheres bonitas lá, certamente importadas de outros estados, pois em SP só tem bagulho.Refeito do início da feira, fomos procurar mais coisas que nos interessavam. Depois de muito caminharmos por aquelas bandas, achamos um fornecedor de moto-gerador e um fornecedor de equipamentos baseados em Wimax. Eram quase vinte horas e nos demos por vencidos. Não sei como foi no ano passado ou no ano retrasado, mas para manter a fama de maior feira de tecnologia do país, essa Telexpo precisa dar uma senhora melhorada em 2007.Saindo de lá me lembrei com um ódio especial aquele tiozinho mala-sem-alça do vôo de ida.Ah ele se dizia empresário para a moça ao lado, todo orgulhoso. Se nossos empresários são assim aqui no país, explica-se um pouco essa situação econômica toda.Fomos para o hotel, chegamos por volta de 21:00 hs, pedi o jantar, vi um pouco de TV e capotei. No outro dia cedo no CENU para participar de uma reunião e ver umas outras coisas, tudo pela manhã, pois o vôo de volta, o 1680 da Gol, era as 15:15 hs. Peguei a poltrona 16D na volta, e quase não me incomodei na viagem, a não ser por causa de um débil mental que chegou bem atrasado, e me fez tirar o cinto que já estava atado e levantar para ele passar. Sempre tem gente para chegar atrasado no avião, tremendo egoísmo e desconsideração com quem chega sempre na hora, mas tudo bem, o pior já havia passado. Quem estiver além de mim lendo esse texto inútil deve estar se perguntando por que ele tem esse nome se pouco falei da Telexpo: Vou dizer, eu queria mesmo era um motivo para falar mal do tiozinho do vôo de ida.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s